Patrimônio dos candidatos à Presidência em 2026 vai de zero a mais de R$ 242 milhões
Os candidatos que apresentaram pedido de registro para disputar a Presidência da República nas eleições de 2026 possuem patrimônios bastante diferentes, segundo as declarações entregues à Justiça Eleitoral. Dados disponíveis no sistema DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostram valores que vão de candidatos que informaram não possuir bens até patrimônios superiores a R$ 200 milhões. Há, porém, uma situação ainda pendente de correção envolvendo Pablo Marçal (PRTB).
O prazo para partidos, federações e coligações apresentarem os pedidos de registro terminou às 19h de sábado, 15 de agosto. Até a noite deste domingo, 16 de agosto, o levantamento da Justiça Eleitoral apontava 13 pedidos de registro para a Presidência da República. Os pedidos ainda passam pela análise da Justiça Eleitoral, portanto a apresentação do registro não significa, por si só, que todas as candidaturas já estejam definitivamente deferidas.
Considerando os valores informados ao TSE e conferidos em levantamentos publicados com base no DivulgaCandContas, a situação é a seguinte:
* Augusto Cury (Avante): R$ 242.281.162,52. É, entre as declarações atualmente sem contestação pública, o maior patrimônio apresentado. Entre os principais itens estão empréstimos concedidos a empresas, participações societárias, ações, imóveis rurais e fundos de investimento.
* Romeu Zema (Novo): R$ 178.707.610,09. Grande parte está relacionada a participações empresariais e investimentos, incluindo aproximadamente R$ 94,5 milhões em participação numa holding familiar e R$ 56,2 milhões em fundo multimercado.
* Ronaldo Caiado (PSD): R$ 52.557.930,98. A declaração é concentrada principalmente em imóveis rurais, avaliados em cerca de R$ 36,2 milhões, e animais de criação, que somam aproximadamente R$ 10,5 milhões.
* Wilson Grassi (Democrata): R$ 50.000.000,00. O patrimônio informado é composto principalmente por imóveis e participações societárias.
* Flávio Bolsonaro (PL): R$ 8.186.555,83. Entre os principais bens está uma residência em Brasília declarada por R$ 6,2 milhões, além de aproximadamente R$ 1 milhão em fundo de investimento, aplicações, depósitos bancários, veículo e participações societárias.
* Luiz Inácio Lula da Silva (PT): R$ 4.775.650,64. Entre os maiores valores estão planos de previdência privada, além de imóveis, aplicações financeiras e outros créditos e direitos.
* Clariana Barão (DC): R$ 1.820.760,17. A declaração inclui imóveis e um veículo, entre outros bens.
* Renan Santos (Missão): R$ 795.089,00. Foram declarados créditos, poupança, bens relacionados à atividade profissional e participações societárias.
* Edmilson Costa (PCB): R$ 454.485,68. O patrimônio informado inclui participação em apartamento, aplicações financeiras e previdência privada.
* Samara Martins da Silva Feitosa (UP): R$ 33.000,00. Foram declarados um automóvel Uno Vivace, avaliado em R$ 29 mil, e R$ 4 mil em poupança.
* Hertz Dias (PSTU): sem bens declarados na candidatura de 2026.
* Rui Costa Pimenta (PCO): sem bens declarados na candidatura de 2026.
* Pablo Marçal (PRTB): valor em retificação. O pedido de registro apresentado ao TSE trouxe inicialmente um patrimônio de aproximadamente R$ 7,4 bilhões. Neste domingo, porém, Marçal afirmou que o número informado está errado e que determinou sua correção. Até a atualização consultada, ele não havia divulgado qual seria o valor correto. Por esse motivo, o montante de R$ 7,4 bilhões não deve ser apresentado como patrimônio confirmado do candidato.
Augusto Cury lidera entre os valores confirmados
Desconsiderando a declaração de Pablo Marçal enquanto o dado permanece em processo de correção, Augusto Cury aparece com o maior patrimônio declarado, de R$ 242,28 milhões. Romeu Zema vem em seguida, com R$ 178,71 milhões. Juntos, os dois são os únicos entre os registros atualmente consolidados que ultrapassam a marca de R$ 100 milhões.
Na sequência aparecem Ronaldo Caiado, com R$ 52,56 milhões, e Wilson Grassi, com R$ 50 milhões. Flávio Bolsonaro declarou R$ 8,19 milhões e Lula, R$ 4,78 milhões. No outro extremo estão Samara Martins, com R$ 33 mil, enquanto Hertz Dias e Rui Costa Pimenta não apresentaram bens em suas declarações.
Declaração ao TSE não é auditoria patrimonial
Os valores divulgados pela Justiça Eleitoral correspondem às informações fornecidas pelos próprios candidatos durante o processo de registro. A relação pode incluir imóveis, veículos, participações em empresas, saldos bancários, poupança, ações, investimentos e outros bens e direitos. O DivulgaCandContas torna essas informações públicas para permitir o acompanhamento pelos eleitores.
Por isso, o termo tecnicamente correto é “patrimônio declarado à Justiça Eleitoral”. Os números não devem ser apresentados como uma avaliação independente da riqueza real de cada candidato. O episódio envolvendo Pablo Marçal reforça essa cautela: o próprio candidato reconheceu erro no valor protocolado e solicitou a alteração dos dados.
Fontes: Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sistema DivulgaCandContas; dados conferidos com levantamentos da Folha de S.Paulo e do UOL publicados em 15 e 16 de agosto de 2026.
