A Diretoria de Vigilância em Saúde de Porto Alegre emitiu um alerta epidemiológico diante do risco de introdução de casos importados de sarampo na Capital. O documento foi publicado nesta semana e orienta profissionais de saúde e a população a reforçarem a atenção aos sintomas e, principalmente, manterem a vacinação em dia.

A medida ocorre em meio ao aumento da circulação do vírus em diferentes regiões do mundo e ao crescimento expressivo dos registros nas Américas. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) informou que, até 18 de julho, 47.459 casos de sarampo e 44 mortes haviam sido confirmados nas Américas em 2026, o maior número registrado na região em 22 anos. Guatemala, México, Estados Unidos e Peru estavam entre os países mais atingidos.

No Brasil, a situação também passou a exigir maior atenção. O alerta emitido por Porto Alegre considerava 23 casos registrados em São Paulo ao longo de 2026. Dados mais recentes disponibilizados pelo Ministério da Saúde, referentes até a semana epidemiológica 35, ampliam o total nacional para 29 casos confirmados: 28 no Estado de São Paulo e um no Rio de Janeiro. O Brasil mantém, entretanto, o status de país livre da circulação endêmica do sarampo, recuperado em novembro de 2024.

## Porto Alegre não tem casos em 2026

Até o momento, não há casos confirmados de sarampo em Porto Alegre neste ano. Em 2025, a Capital confirmou um caso em uma pessoa que havia viajado aos Estados Unidos, considerado o provável local da infecção. O último óbito provocado pela doença no Rio Grande do Sul ocorreu em 1997.

A preocupação das autoridades está relacionada principalmente à intensa circulação de pessoas entre Porto Alegre, São Paulo e outros destinos nacionais e internacionais. Pessoas que retornem de viagem devem observar possíveis sinais da doença, principalmente quando estiveram em locais onde há circulação do vírus.

Cobertura vacinal está abaixo da meta

Outro fator que preocupa a Vigilância em Saúde é a cobertura vacinal. Em Porto Alegre, até junho de 2026, a cobertura entre crianças de um ano estava em 87,1% para a primeira dose e 69,5% para a segunda dose.

Os índices estão abaixo dos 95% considerados ideais para impedir a transmissão do sarampo. Ao longo de 2026, Porto Alegre já havia aplicado 24.479 doses das vacinas tríplice e tetraviral, considerando todas as faixas etárias e estratégias de imunização.

A vacina tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola e está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Quem deve se vacinar

A orientação é que pessoas que nunca receberam o imunizante, estejam com o esquema incompleto ou não possuam comprovação das doses procurem uma unidade de saúde.

Em Porto Alegre, o esquema indicado prevê duas doses para pessoas de 5 a 29 anos que nunca foram vacinadas, com intervalo de um mês entre elas. Pessoas entre 30 e 59 anos devem receber uma dose. Para profissionais de saúde são recomendadas duas doses, independentemente da idade. Para as crianças, a vacinação segue o Calendário Nacional de Vacinação.

A vacina é contraindicada para gestantes. Pessoas imunocomprometidas devem passar por avaliação de um profissional de saúde antes da aplicação.

## Sintomas exigem atenção

O sarampo é uma doença viral extremamente contagiosa, transmitida principalmente por secreções respiratórias liberadas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. Em ambientes fechados, também pode ocorrer transmissão por aerossóis. Entre pessoas não imunizadas que tenham contato próximo com alguém infectado, até nove em cada dez podem desenvolver a doença.

Os principais sinais de alerta são febre e manchas avermelhadas pelo corpo acompanhadas de tosse, coriza ou conjuntivite. A atenção deve ser ainda maior quando a pessoa tiver viajado recentemente para locais com circulação do vírus ou mantido contato com alguém que tenha viajado.

Quem apresentar sintomas compatíveis deve procurar atendimento de saúde o mais rapidamente possível e informar sobre viagens recentes. Casos suspeitos de sarampo são de notificação compulsória imediata, permitindo que as equipes de vigilância adotem rapidamente medidas para impedir uma possível cadeia de transmissão.

Fontes: Diretoria de Vigilância em Saúde de Porto Alegre, Ministério da Saúde e Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).