O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, direcionou novas críticas à atuação brasileira contra o crime organizado em uma determinação presidencial sobre o combate internacional às drogas. No documento encaminhado ao Congresso norte-americano em 15 de setembro, Washington afirma que o governo brasileiro não tem enfrentado de forma suficiente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) e atribui às duas organizações papel relevante nas rotas internacionais de cocaína. O governo dos EUA passou a classificar oficialmente PCC e CV como Organizações Terroristas Estrangeiras em junho de 2026.

Apesar das críticas, o Brasil não foi incluído na relação de 23 países considerados grandes produtores ou territórios de trânsito de drogas ilícitas para o ano fiscal de 2027. A Casa Branca informou que Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia foram os quatro governos apontados como aqueles que não realizaram esforços substanciais para cumprir compromissos internacionais de combate ao narcotráfico. A própria determinação ressalta que fazer parte da lista principal não significa, por si só, uma avaliação negativa de determinado governo, já que fatores geográficos, comerciais e econômicos também são levados em consideração.

Ao tratar especificamente do Brasil, a administração Trump sustenta que PCC e CV representam uma ameaça crescente à segurança internacional e defende uma reação mais intensa das autoridades brasileiras para impedir a expansão das facções. O texto, porém, não especifica quais medidas o governo dos Estados Unidos espera que sejam adotadas nem apresenta números sobre a quantidade de drogas movimentada pelos grupos. A pressão ocorre meses depois de Washington ampliar as sanções e classificações contra as duas organizações, enquanto documentos do próprio governo norte-americano já descreviam PCC e CV como grupos com operações transnacionais ligadas ao tráfico de drogas e a outras atividades ilícitas.