Polícia analisa 63 ações em investigação sobre medicamentos falsificados contra o câncer no RS
## Operação Placebo apura esquema que teria usado processos judiciais para direcionar compras de remédios de alto custo pagos com recursos públicos
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul analisa 63 processos judiciais no âmbito da Operação Placebo, investigação que apura suspeitas de falsificação de medicamentos e fraudes envolvendo a compra de remédios destinados a pacientes com câncer na Fronteira Oeste do Estado.
A investigação ganhou novos detalhes após reportagem exibida pelo Fantástico neste domingo, 20 de setembro. Segundo a Polícia Civil, os processos eram utilizados para obter, por determinação judicial, medicamentos de alto custo que não estavam disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e que acabavam sendo pagos com recursos públicos.
As suspeitas começaram na Santa Casa de Caridade de São Gabriel, após profissionais do setor de oncologia perceberem irregularidades na embalagem de um medicamento. Conforme a investigação, havia diferenças de coloração e textura, erros de grafia e divergências entre a caixa e a bula. O laboratório responsável recebeu uma amostra e confirmou que o frasco analisado pertencia a um lote falsificado.
A partir do caso, os investigadores passaram a apurar toda a cadeia envolvendo prescrições, ações judiciais, apresentação de orçamentos e fornecimento dos medicamentos. A suspeita é de que empresas com ligações entre si apresentassem propostas nos processos, criando uma falsa concorrência e permitindo o direcionamento das compras e possível superfaturamento.
Dos 63 processos atualmente analisados, 40 foram apresentados por dois advogados e outros 23 por uma terceira profissional. Todos os tratamentos investigados teriam sido prescritos pelo mesmo médico oncologista. Por determinação judicial, o médico e três advogados tiveram temporariamente suspenso o exercício profissional. As defesas negam participação em irregularidades.
Um empresário de São Gabriel, apontado pela investigação como possível articulador do núcleo responsável pelo fornecimento dos remédios, foi preso durante a operação realizada em junho. Na residência dele foram encontradas diversas caixas de medicamentos com indícios de adulteração. O investigado nega envolvimento no esquema.
A Polícia Civil também busca determinar quantos pacientes efetivamente receberam ou utilizaram medicamentos falsificados ou de origem irregular. Quando a operação foi deflagrada, 39 possíveis vítimas já haviam sido identificadas, mas a análise das dezenas de processos pode ampliar o alcance da investigação.
Familiares ouvidos durante a investigação relataram interrupções no tratamento e ausência de resultados esperados com alguns medicamentos. Em um dos casos, uma paciente de São Gabriel morreu aos 57 anos. A família, entretanto, não sabe se ela chegou a receber algum dos medicamentos suspeitos, e não há até o momento comprovação de relação entre a morte e os produtos investigados.
A Polícia Civil informou que ainda não há previsão para a conclusão da perícia de todos os medicamentos apreendidos. O inquérito segue em andamento para individualizar as responsabilidades, identificar eventuais novas vítimas e esclarecer a extensão das fraudes.
Fonte: Polícia Civil do Rio Grande do Sul, Fantástico/G1 e GZH.
