Aos 20 anos, Reiner Jesus Martins conquistou a carteira nacional de habilitação após aprender a conduzir um automóvel usando os pés. Morador de Lavras (MG), onde estuda agronomia, ele nasceu sem os dois braços e precisou passar por uma junta médica do Detran, responsável por estabelecer as adaptações necessárias no veículo. O processo terminou com a aprovação no exame prático em 5 de agosto, resultado que emocionou o jovem.

O caminho até a prova começou no ano anterior e teve como uma das principais dificuldades encontrar uma autoescola que oferecesse um carro adequado às exigências médicas. A alternativa surgiu em Pará de Minas (MG), onde Reiner conseguiu realizar as aulas práticas. Embora inicialmente tivesse dúvidas sobre sua capacidade de dirigir, ele relata que a insegurança diminuiu já no primeiro contato com o veículo adaptado. Para o estudante, ainda existem obstáculos que precisam ser superados para ampliar a acessibilidade de pessoas com deficiência à habilitação, inclusive na preparação dos profissionais envolvidos.

A independência faz parte da rotina de Reiner desde a infância. Incentivado pela mãe, ele desenvolveu maneiras próprias de escrever, alimentar-se, escovar os dentes e vestir-se utilizando principalmente os pés, que hoje desempenham para ele funções semelhantes às das mãos. O contato com adaptações também começou cedo: um padrinho chegou a construir uma bicicleta especial, movimentada com auxílio do tronco, que permanece guardada pela família.

Além dos desafios práticos, Reiner enfrentou comentários preconceituosos relacionados à deficiência quando era criança. Com o passar dos anos, afirma ter aprendido a lidar com as reações e a demonstrar suas capacidades. A obtenção da CNH representa, assim, mais um avanço em uma trajetória marcada pela busca de autonomia e pela adaptação das atividades cotidianas às suas necessidades.