PF investiga esquema que teria usado falsas malas diplomáticas para trazer eletrônicos ao Brasil
Operação Rota Diplomática apura entrada clandestina de mais de 230 toneladas de mercadorias pelo Aeroporto de Viracopos entre 2023 e 2024
A Polícia Federal investiga um esquema suspeito de utilizar falsas malas diplomáticas para introduzir mercadorias estrangeiras de forma clandestina no Brasil. A apuração faz parte da Operação Rota Diplomática, deflagrada em 23 de setembro, e tem como foco cargas que teriam desembarcado pelo Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP). Segundo a PF, os volumes eram compostos principalmente por smartphones e outros produtos eletrônicos provenientes dos Estados Unidos.
As investigações indicam que as mercadorias recebiam selos e elementos de identificação ligados ao serviço consular, que teriam sido usados para simular a condição de bagagem diplomática e evitar os procedimentos normais de fiscalização aduaneira. A Polícia Federal informou que, entre 2023 e 2024, mais de 230 toneladas de produtos teriam ingressado irregularmente no país por meio do esquema. A eventual origem e utilização indevida desses elementos de identificação continuam sendo apuradas.
Nesta fase da operação, a Justiça Federal autorizou nove mandados de busca e apreensão, cumpridos em Indaiatuba, Santana de Parnaíba, São Paulo e Mauá. Também foi determinado o bloqueio de aproximadamente R$ 20 milhões em bens e valores. Não houve mandados de prisão nesta etapa, e documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais recolhidos durante as diligências deverão passar por análise.
Os investigados poderão responder, em tese, por descaminho, organização criminosa e lavagem de dinheiro, dependendo do avanço das apurações e da individualização das condutas. A investigação busca esclarecer como funcionava a logística das remessas, quem participava do esquema e de que forma os identificadores usados para conferir aparência diplomática às cargas eram obtidos e empregados.
