Uma curiosa previsão científica publicada em 1960 voltou a chamar atenção às vésperas de novembro de 2026. Em artigo na revista Science, o físico austríaco Heinz von Foerster, Patricia M. Mora e Lawrence W. Amiot apresentaram um modelo matemático baseado no crescimento da população mundial ao longo de quase dois mil anos. Mantida aquela tendência, a equação apontava para uma explosão populacional teórica em 13 de novembro de 2026, data apresentada no trabalho como um “dia do juízo final”.

A escolha, porém, estava longe de representar uma profecia literal. Heinz von Foerster nasceu justamente em 13 de novembro de 1911, e a indicação de seu hipotético 115º aniversário fazia parte do tom provocativo e bem-humorado do estudo. O objetivo era chamar atenção para os limites dos modelos de crescimento populacional usados na época, em um período marcado pelo temor de que a humanidade avançasse para uma expansão demográfica impossível de sustentar.

As décadas seguintes mostraram que aquela trajetória não se confirmou. A expansão da produção agrícola e a queda das taxas de fecundidade em diferentes partes do mundo modificaram profundamente as projeções demográficas. A população global ultrapassou 8 bilhões de habitantes, mas o ritmo de crescimento vem diminuindo, e estimativas atuais apontam para uma estabilização seguida de redução populacional nas próximas décadas.

Por isso, 13 de novembro de 2026 não representa qualquer previsão científica atual de fim do mundo. O episódio permanece como uma curiosidade histórica sobre os debates demográficos da década de 1960 e sobre os riscos de extrapolar tendências matemáticas indefinidamente. Outras previsões apocalípticas também ficaram famosas ao longo da história, incluindo cálculos atribuídos a Isaac Newton sobre o ano de 2060, igualmente sem caráter de previsão científica moderna.