Globo cancela debate presidencial após decisões judiciais de última hora
Emissora informou que a sucessão de determinações envolvendo regras do encontro causou insegurança jurídica e levou à suspensão do programa previsto para esta quinta-feira
A Globo cancelou o debate com candidatos à Presidência da República que estava previsto para a noite desta quinta-feira, 1º de outubro. A decisão foi anunciada após a emissora receber duas intimações judiciais poucas horas antes da realização do programa, envolvendo regras de participação e a forma como candidatos ausentes seriam tratados durante o encontro.
Uma das determinações partiu da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral, atendendo a pedido da coligação de Lula (PT). A decisão proibiu que o púlpito reservado ao candidato ausente fosse mantido no cenário com identificação, além de impedir que os demais participantes fizessem perguntas que seriam direcionadas a ele, como previa a regra assinada anteriormente pelos partidos.
A outra decisão foi proferida pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, e determinou a inclusão de Renan Santos, do partido Missão, no debate. A Globo havia convidado os candidatos que, conforme a legislação eleitoral e a regulamentação do TSE, pertencem a partidos com representação mínima de cinco parlamentares no Congresso Nacional. A emissora também já havia incluído Romeu Zema (Novo) após decisão anterior do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques.
Ao justificar o cancelamento, a Globo afirmou que as sucessivas decisões tomadas momentos antes do debate provocaram insegurança jurídica e interferiram na liberdade dos veículos de comunicação de organizar debates eleitorais. A emissora declarou ainda que seu objetivo era oferecer aos eleitores a oportunidade de comparar propostas para o país e agradeceu aos candidatos e ao público que aguardavam a transmissão.
