Polícia Federal prende 19 pessoas em operação contra monopólio ilegal de internet no Rio de Janeiro
Operação Backbone mira integrantes do Comando Vermelho suspeitos de controlar serviços de internet em comunidades; Justiça determinou bloqueio de R$ 558 milhões
A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira, 19 de outubro, a Operação Backbone, com o objetivo de combater a exploração ilegal de serviços de internet em comunidades do Rio de Janeiro. A ação prevê o cumprimento de 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão contra investigados por envolvimento com a facção criminosa Comando Vermelho. Até as 09h15min, 19 pessoas haviam sido presas.
Segundo as investigações, a organização criminosa estabelecia um monopólio sobre o fornecimento de internet nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na zona norte da capital fluminense. Para impedir a concorrência, integrantes armados cortavam cabos, incendiavam caixas de distribuição e ameaçavam moradores e comerciantes, obrigando a população a contratar serviços controlados pela facção. Em determinado mês, a cobrança pela internet representou mais de 40% da arrecadação do grupo criminoso no Complexo da Penha.
A operação também identificou suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão adquiridos com pagamentos em dinheiro e criptoativos. Os mandados, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), são cumpridos nos municípios do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé, além de unidades do sistema prisional. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 558 milhões em bens e valores de 40 pessoas e 42 empresas, bem como a suspensão das atividades econômicas de pessoas jurídicas investigadas.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será comunicada para adotar providências relacionadas à cassação de autorizações e à interdição dos serviços prestados pelas empresas envolvidas, além de medidas para garantir a continuidade do acesso à internet nas regiões afetadas. Os investigados poderão responder por crimes como extorsão majorada, lavagem de dinheiro, interrupção de serviço telemático, exploração clandestina de telecomunicações e atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, entre outras infrações apontadas pela Polícia Federal.
Fonte: Agência Brasil
