Pesquisa aponta desigualdade na estrutura de UTIs públicas e privadas no Brasil
Levantamento com mais de 2,3 mil médicos revela diferenças na disponibilidade de leitos, medicamentos e profissionais especializados; especialistas defendem melhorias além da ampliação de vagas
Uma pesquisa realizada pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), com apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM), identificou diferenças significativas na avaliação da estrutura das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) públicas e privadas no Brasil. O levantamento ouviu 2.338 médicos que atuam no atendimento de pacientes graves e revelou que as unidades particulares receberam avaliações positivas superiores às da rede pública na maioria dos critérios analisados. Os resultados foram divulgados nesta quarta-feira, 21 de outubro.
Entre os principais problemas apontados está a disponibilidade de medicamentos essenciais para o tratamento de pacientes internados em UTIs. Apenas 22,7% dos médicos entrevistados consideraram totalmente adequada a oferta desses medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto o índice chegou a 57,7% nos hospitais particulares e vinculados a planos de saúde. Na avaliação sobre a quantidade de leitos disponíveis, 24,1% atribuíram nota máxima à rede pública, contra 51,4% à rede privada. Além disso, 32,6% dos profissionais avaliaram negativamente a disponibilidade de leitos no SUS, percentual que caiu para 7,7% no setor privado.
O estudo também identificou diferenças na qualificação das equipes e na disponibilidade de protocolos de atendimento. A presença de equipes multiprofissionais especializadas recebeu avaliação máxima de 23% dos médicos na rede pública e de 39,2% na privada. Já a disponibilidade de enfermeiros com formação específica em terapia intensiva teve avaliação positiva de 16,9% no SUS, diante de 25,1% nos serviços particulares. Ao todo, 12 dos 13 aspectos analisados apresentaram diferenças de percepção entre os setores, com resultados mais próximos apenas nas questões administrativas e burocráticas.
Diante dos resultados, a Associação de Medicina Intensiva Brasileira defende que os investimentos em terapia intensiva não sejam limitados à abertura de novos leitos, mas também contemplem infraestrutura, medicamentos, qualificação profissional e melhoria dos processos de atendimento. A entidade pretende apresentar o diagnóstico a gestores e autoridades responsáveis pela fiscalização e organização dos serviços de saúde. Segundo a Amib, as recomendações podem contribuir para a melhoria da assistência nos 43.901 leitos de UTI existentes no país, sendo 34.927 destinados a adultos e 8.974 voltados à pediatria e neonatologia.
Fonte: Agência Brasil / Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib).
