O Conselho Regional de Desenvolvimento da Serra (Corede Serra) iniciou uma pesquisa inédita para identificar as principais necessidades de infraestrutura rodoviária nos 32 municípios de sua área de abrangência. O levantamento integra o Plano Regional de Infraestrutura Rodoviária e pretende reunir informações sobre as condições das estradas municipais, intermunicipais e regionais. O objetivo é estabelecer uma lista de projetos prioritários e buscar recursos junto aos governos estadual e federal, com apoio de parlamentares, da Associação dos Municípios da Encosta Superior do Nordeste (Amesne) e de outras entidades regionais.

O prazo para devolução dos questionários termina no dia 26 de outubro. Após a coleta, os dados serão analisados e organizados pelo Corede Serra. Em dezembro, a entidade pretende reunir os prefeitos dos municípios participantes para classificar as demandas, considerando critérios como mobilidade, logística, segurança viária, desenvolvimento econômico e integração territorial. Conforme a presidente do Corede Serra, Monica Mattia, a infraestrutura rodoviária influencia diretamente a competitividade das empresas e o desenvolvimento do turismo. Os resultados serão divulgados à sociedade e encaminhados a prefeitos, deputados e entidades da região.

A iniciativa também considera os impactos das enchentes de maio de 2024, que provocaram danos significativos em diversas rodovias da Serra Gaúcha, especialmente na BR-470, entre Bento Gonçalves e Veranópolis. Durante as intervenções nessa ligação, o tráfego foi direcionado para rotas alternativas, aumentando a circulação de veículos em estradas que não estavam preparadas para receber essa demanda. Atualmente, estão em andamento obras importantes, como a duplicação da RSC-453, entre Garibaldi e Farroupilha, e da ERS-122, no contorno norte de Caxias do Sul. Os investimentos nesses trechos, concedidos à Caminhos da Serra Gaúcha (CSG), ultrapassam R$ 610 milhões, beneficiando vias que recebem, juntas, mais de 36 mil veículos diariamente.

A necessidade de melhorias também é demonstrada por dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Segundo levantamento realizado em 2025, mais de 74% da malha rodoviária estadual e federal avaliada no Rio Grande do Sul foi classificada como regular, ruim ou péssima, condição que eleva em aproximadamente 37% os custos operacionais do transporte de cargas. Diante desse cenário, o Corede Serra pretende transformar as informações coletadas em um planejamento regional integrado, buscando priorizar investimentos, melhorar a segurança nas estradas e fortalecer a logística e o desenvolvimento econômico da Serra Gaúcha.