Falso médico é indiciado após investigação identificar ao menos 16 vítimas no RS
Suspeito utilizava registros profissionais de três médicos para emitir receitas, solicitar exames e realizar atendimentos sem habilitação legal
A Polícia Civil concluiu uma investigação sobre a atuação de um homem que se apresentava como médico em Frederico Westphalen, no Norte do Rio Grande do Sul. O investigado, de 34 anos, foi indiciado por exercício ilegal da medicina, falsificação de documentos e lesão corporal, após a identificação de pelo menos 16 pessoas que teriam sido prejudicadas pelos atendimentos realizados.
Conforme a investigação, o homem atuava em uma clínica localizada no Centro do município e utilizava indevidamente nomes e números de registro de três médicos habilitados para emitir receitas, solicitar exames e realizar procedimentos em pacientes.
O inquérito foi conduzido pela Polícia Civil após registros de ocorrências, denúncias de profissionais da saúde e informações encaminhadas por órgãos de fiscalização. As apurações começaram no início de 2026, quando foram identificadas suspeitas de utilização irregular dos registros no Conselho Regional de Medicina.
Segundo o delegado Jacson Boni, responsável pela investigação, o suspeito possuía formação na área de Biomedicina, além de qualificações relacionadas à cosmetologia, estética e dermatologia. Entretanto, não tinha formação em Medicina nem registro profissional que o autorizasse a exercer atividades privativas de médicos.
Entre os procedimentos investigados estão consultas, prescrições de medicamentos, solicitações de exames e intervenções na pele. Em um dos casos relatados à polícia, um paciente teria apresentado agravamento de uma lesão após realizar um tratamento indicado pelo investigado.
Durante o trabalho policial, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na clínica e na residência do suspeito. Os agentes recolheram equipamentos eletrônicos, documentos e carimbos com identificação de profissionais da Medicina, materiais utilizados na apuração dos fatos.
A Polícia Civil concluiu a etapa investigativa com o indiciamento do suspeito. O indiciamento não representa condenação, cabendo às autoridades responsáveis avaliar os desdobramentos judiciais do caso.
