Resgate de 34 trabalhadores expõe condições precárias na colheita de batatas em Taquari
Fiscalização encontrou alojamento improvisado, problemas sanitários e irregularidades na contratação; vínculos e pagamentos foram regularizados.
Uma operação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resultou no resgate de 34 trabalhadores em condições análogas à escravidão durante a colheita de batatas em Taquari, no Vale do Taquari. A ação ocorreu após uma denúncia anônima recebida pelo Sistema Ipê. Os fiscais inspecionaram o local em 8 de outubro, e o grupo deixou o alojamento no dia seguinte.
Conforme a fiscalização, os trabalhadores estavam instalados em um salão comunitário adaptado, sem condições adequadas de hospedagem. Havia pessoas dormindo em colchões no chão ou em espaços improvisados com mesas e cadeiras, além de banheiros insuficientes e de um chuveiro externo que oferecia risco elétrico. Os próprios trabalhadores precisavam providenciar parte dos itens básicos para dormir e se alimentar.
As equipes também verificaram que as frentes de trabalho não ofereciam sanitários, abrigo contra chuva ou local apropriado para refeições, além da ausência de equipamentos de proteção individual. Segundo o MTE, a remuneração era por produtividade, sem pagamento nos dias em que o mau tempo impedia a colheita, e a alimentação era fornecida apenas a quem trabalhava. Foram identificados ainda vínculos sem registro e inconsistências contratuais.
O balanço divulgado na sexta-feira (23) informou a formalização dos vínculos e o pagamento das verbas rescisórias, além do retorno dos resgatados às localidades de origem. O órgão considera a ocorrência o maior resgate de trabalhadores já realizado na região. As irregularidades serão objeto de autuação, com garantia de defesa na esfera administrativa, e um relatório deverá ser enviado à Polícia Federal, ao Ministério Público Federal e ao Ministério Público do Trabalho.
