As concentrações dos principais gases de efeito estufa na atmosfera atingiram níveis recordes em 2025, segundo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgado nesta terça-feira, 27 de outubro. Conforme a Agência Brasil, o dióxido de carbono (CO₂) ficou 53% acima do nível pré-industrial, enquanto o metano (CH₄) e o óxido nitroso (N₂O) apresentaram altas de 167% e 26%, respectivamente, em relação ao período anterior a 1750.

O CO₂ alcançou 426,8 partes por milhão, aumento de 2,8 partes por milhão frente a 2024. Embora inferior à elevação de 3,6 registrada no ano anterior, o avanço superou a média anual da década, de 2,62. O documento relaciona a desaceleração à provável redução das emissões e à recuperação dos sumidouros terrestres de carbono, mas ressalta que a continuidade da alta reflete as grandes emissões da queima de combustíveis fósseis.

O relatório também aponta que o El Niño de 2023/2024 pode ter limitado a absorção de carbono pela biosfera. Entre 2015 e 2024, metade das emissões humanas permaneceu na atmosfera; os oceanos absorveram 29% e os ambientes terrestres, 21%. O CO₂ responde por 66% da força radiativa dos gases analisados, medida de sua contribuição para o aquecimento, e por 83% do aumento dessa força na última década.

A concentração de metano chegou a 1.948 partes por bilhão, seis acima do valor de 2024. O incremento ficou abaixo dos oito registrados no ano anterior e da média da década, de 10,2 por ano. O gás representa 16% da força radiativa, e cerca de dois terços de suas emissões têm origem em atividades humanas, como a criação de gado e a decomposição de resíduos orgânicos.

Já o óxido nitroso atingiu 339,1 partes por bilhão, alta de 1,1 em relação a 2024, próxima da média anual da década. Responsável por 6% da força radiativa, o gás tem emissões associadas, entre outras fontes, ao uso de fertilizantes agrícolas. Segundo o levantamento, aproximadamente um terço de suas emissões decorre de ações humanas.

O estudo registra queda na concentração dos clorofluorcarbonos (CFCs), que também prejudicam a camada de ozônio. Em contrapartida, alerta para o aumento de gases usados como substitutos industriais, como HCFCs e HFCs. Em conjunto, os gases halogenados respondem por 12% da força radiativa.

Outro ponto de atenção é o hexafluoreto de enxofre (SF₆), empregado como isolante elétrico em equipamentos de distribuição de energia. Sua concentração, ainda baixa, triplicou desde meados da década de 1990, e sua permanência na atmosfera ultrapassa 1.900 anos.

O documento ainda destaca os efeitos indiretos de vazamentos de hidrogênio (H₂) em dutos, reservatórios e células de combustível. Embora não provoque aquecimento diretamente, o gás pode reagir com hidroxilas, reduzindo a disponibilidade dessas moléculas para remover metano da atmosfera e, assim, contribuir indiretamente para o aquecimento global.

Fonte: Agência Brasil.