Eleições nos EUA: o que pode mudar para o Brasil após a disputa pelo Congresso
Votação desta terça-feira testa a força de Trump e pode ampliar pressão sobre tarifas e sanções ao Brasil, avalia especialista
Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3) para renovar o Congresso, em uma disputa que pode repercutir nas relações com o Brasil. As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, colocam em jogo as 435 vagas da Câmara dos Representantes e 35 cadeiras do Senado, além dos governos de 36 estados.
O resultado definirá se o Partido Republicano, de Donald Trump, manterá o controle parlamentar. Segundo análise do professor da Univali e mestre em Relações Internacionais Daniel da Cunda Corrêa da Silva, apresentada ao NSC Total, uma maioria democrata poderia ampliar a fiscalização de tarifas e sanções adotadas pelo governo americano contra o Brasil, com convocações de autoridades e maior pressão nas comissões.
Na dimensão política, o especialista avalia que a perda de apoio no Congresso poderia dificultar iniciativas de pressão externa sobre o Brasil. Uma maioria de oposição também teria instrumentos para investigar decisões do governo relacionadas à família Bolsonaro. Isso, porém, não significa que o Parlamento passaria a decidir sobre a permanência de brasileiros nos Estados Unidos, atribuição dos órgãos do Executivo.
Os possíveis reflexos econômicos envolvem a capacidade de Trump de aprovar orçamento, impostos e gastos públicos. Mudanças nessa relação de forças podem influenciar as expectativas dos mercados e a cotação do dólar. Os efeitos para o Brasil dependerão do resultado eleitoral e das decisões posteriores, sem alteração automática das medidas já em vigor.
