Aprendizagem na educação especial avança, mas desigualdade cresce nas séries finais
Dados do Saeb mostram que a diferença de desempenho diminuiu no 5º ano e aumentou no 9º ano e no fim do ensino médio
Estudantes da educação especial da rede pública avançaram em português e matemática entre 2013 e 2023. A diferença de desempenho em relação aos demais alunos diminuiu no 5º ano do ensino fundamental, mas aumentou no 9º ano e no 3º ano do ensino médio.
O levantamento do Instituto Rodrigo Mendes, da Fundação Lemann e do Iede analisou dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). No 5º ano, a parcela de alunos da educação especial com aprendizagem adequada em português chegou a 44,5% em 2023, ante 55,9% entre os demais. Em matemática, o indicador da educação especial passou de 16,9% para 33,9% ao longo da década.
No 9º ano, a aprendizagem adequada em português subiu de 11,9% para 18,8% na educação especial e de 24,3% para 36,8% entre os demais alunos. No último ano do ensino médio, apenas 3,2% dos estudantes da educação especial atingiram o nível adequado em matemática em 2023.
A participação dos estudantes da educação especial na prova do 5º ano cresceu de 61,6% para 74,4%. A pesquisadora Maria Laura Gomes ressalta que o estudo abrange apenas os estudantes que chegaram às etapas avaliadas e eram elegíveis ao Saeb. Assim, os dados deixam de fora quem abandonou a escola antes dessas etapas.
O acesso a provas adaptadas e a outros recursos de apoio depende de planejamento das redes de ensino. Em Gado Bravo, na Paraíba, a rede municipal criou uma coordenação de educação inclusiva e passou a oferecer apoio a estudantes surdos. Entre os desafios apontados pela pesquisadora estão a acessibilidade das escolas e a formação continuada em educação especial, que alcança 6,4% dos professores.
Fonte: Agência Brasil
