Os prejuízos provocados pela forte tempestade de granizo que atingiu o interior de Veranópolis já são estimados em R$ 15 milhões somente na agricultura, conforme levantamento preliminar da Emater. O fenômeno ocorreu na madrugada de quarta-feira, por volta das 2h30min, deixando um cenário de destruição principalmente nas comunidades de São Valentim e São Roque, próximas à divisa com Fagundes Varela. Pedancino e São Francisco do Retiro também registraram danos. Além das perdas na produção agrícola, a força das pedras de gelo comprometeu estruturas utilizadas nas propriedades rurais, ampliando as dificuldades enfrentadas pelas famílias atingidas.

Entre os setores mais prejudicados está a fruticultura, com perdas significativas nas produções de maçã, uva, laranja e bergamota. Em algumas plantações de bergamota Murcote, aproximadamente 80% da safra estava pronta para a colheita e acabou destruída. Parreirais também tiveram a produção comprometida, enquanto os danos em galhos e troncos poderão afetar o rendimento das próximas duas ou três safras. Nas lavouras, mais de 200 hectares de milho foram atingidos, com necessidade de replantio nas áreas onde o crescimento das plantas foi inviabilizado. Também houve perdas em trigo, canola, aveia, soja, tomate, repolho e outras hortaliças, agravadas pelas enxurradas que acompanharam o temporal.

A destruição também alcançou a infraestrutura das propriedades. O levantamento aponta mais de 16 galpões agrícolas, seis aviários e cinco pocilgas com coberturas danificadas, além de problemas em silos destinados ao armazenamento de alimento para os animais. Diante da situação, equipes municipais iniciaram o atendimento emergencial ainda durante a madrugada, com distribuição de lonas e apoio aos produtores. A mobilização contou com a participação do prefeito Cristiano Valduga Dal Pai, do vice-prefeito João Guilherme Mazeto e da Secretaria de Desenvolvimento Rural. Veranópolis também colaborou com municípios vizinhos, destinando 3 mil metros de lona a Protásio Alves e 2 mil metros a Vila Flores, além de prestar auxílio logístico a Bento Gonçalves e Nova Prata.

Para enfrentar os efeitos econômicos do desastre, a administração municipal e a Emater articulam medidas de recuperação e apoio financeiro aos agricultores. Estão previstas tratativas com a Fetag-RS e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais para buscar subsídios, crédito emergencial e recursos não reembolsáveis junto aos governos estadual e federal. Paralelamente, o município confirmou investimento de R$ 760 mil na implantação de nove geradores automáticos de um sistema regional antigranizo, desenvolvido em parceria com a cooperativa Conevids e outros municípios da Serra Gaúcha. A previsão apresentada é de funcionamento entre outubro e novembro de 2027. Enquanto isso, o trabalho de assistência às famílias e de avaliação dos danos continua, com atenção especial à recuperação das plantações e à manutenção da atividade agrícola nas comunidades atingidas.