A forma de demonstrar afeto teve que ser ressignificada por conta da pandemia. O abraço e o contato tiveram que ser deixados de lado, como forma de segurança. Mesmo que sem o toque, por meio da resiliência, outras formas de demonstrar carinho foram encontradas. Um exemplo disso é observado nos lares de idosos de Veranópolis, que para preservar os senhores e senhoras, tiveram que reinventar a forma de manter vínculos.

Assim, estratégias de socialização alternativas foram pensadas tanto pelo Lar São Francisco, como pela Clínica Longevo. Ambas são as únicas instituições desse setor situadas em Veranópolis. A partir das estratégias, que foram colocadas em prática no último ano, foi possível que os idosos mantivessem contato com seus familiares, ao mesmo tempo que permanecessem seguros.

Estratégias adotadas

Na Clínica Longevo, cada parente que busca fazer uma visita precisa fazer um agendamento prévio e se deslocar ao lar no horário marcado. No encontro, não há contato físico entre o idoso e seu visitante. Uma porta de vidro foi colocada para que eles possam se ver, conversar, mas sem dar margem para um possível contágio.

– Nós pensamos que se as visitas são formas de estar e ser presente são também possibilidades de contágio da doença […] por isso, o direito de visita […] carece ser analisado com responsabilidade e racionalidade- pontua uma das enfermeiras da instituição.

Outra possibilidade de encontro é o virtual. Familiares conversam e se veem por meio de ligações telefônicas, chamadas de vídeo ou conversas por aplicativos de mensagem.

Ambas as medidas também são seguidas pelo Lar São Francisco, que por meio de atividades dinâmicas entre os idosos e visitas como as da Clínica, conseguem sanar a falta do carinho físico.

As saudades

A distância é um desafio enfrentado todos os dias. Por mais que a adaptação permita experiências diferentes e próximas ao real, o contato físico é insubstituível para os senhores e senhoras. O fato é observado com atenção pelos profissionais dos lares, que buscam mitigar, por meio das alternativas, essa necessidade

– Para nós é difícil, porque o idoso gosta de abraçar, gosta do carinho, mas neste momento, ainda não temos a possibilidade, porque muitas coisas devem ser levadas em consideração – reforça a enfermeira da Longevo.

Buscando aliar afeto e segurança, estratégias são adotadas. Apesar de não ser igual a antes da pandemia, o carinho e os abraços seguem presentes nos lares veranenses, eles estão, apenas, colocados sob outras perspectivas.