Dia do Imigrante: cerca de 12 famílias haitianas vivem em Veranópolis
Exclusão ainda marca o dia a dia dessa população
Veranópolis é um município, que como muitos outros, foi consolidado por imigrantes. Sejam italianos, poloneses ou alemães, indivíduos de diversas nacionalidades formaram, no século XIX, o que os veranenses conhecem hoje como seu lar. Com o passar dos anos, o processo de imigração continua ocorrendo e novas pessoas, de novos lugares do mundo, chegam para agregar ao município. Entre esses grupos estão os haitianos. Atualmente, segundo dados da Secretaria de Assistência Social da cidade, 12 famílias dessa nacionalidade moram em Veranópolis.
O poder público, que acompanha os imigrantes, afirma que a população está se organizando no município. Concessões de benefícios já foram necessárias, por conta de momentos de vulnerabilidade, acentuados na pandemia de covid-19. Exclusão por parte de setores da sociedade ainda é observada, fato que dificulta a vida, a consolidação e o trabalho dessas pessoas.
Em âmbito estadual, as características majoritárias dos imigrantes são: homens, jovens, vindos de países como Haiti, Venezuela e Uruguai, residentes na região metropolitana de Porto Alegre e municípios maiores do interior e com escolaridade acima da média da população.
Por que partir?
É comum ver o Haiti sendo noticiado em virtude de suas crises econômicas, conflitos políticos e desastres naturais, que deixam milhares de pessoas em estado de vulnerabilidade. Um abalo sísmico de 2010, com epicentro próximo à capital Porto Príncipe, devastou o país. Números divulgados pela Cruz Vermelha estimam que cerca de 3 milhões de pessoas foram atingidas pelo terremoto. Aproximadamente 300 mil pessoas morreram de acordo com a revisão apresentada pelo primeiro ministro haitiano, Jean-Max Bellerive, em 2011. A condição econômica do país impede que, a cada novo episódio de desastre, o país reconstrua-se.
A crise humanitária que se instaurou no Haiti, associada aos problemas políticos recorrentes, à falta de empregos e qualidade de vida, motivou milhares de haitianos a migrarem rumo a outras regiões. Um dos principais destinos foi o Brasil. Esse fluxo iniciou-se logo após o país ser atingido pelo terremoto de 2010.
