Esquema de agiotagem estaria por trás de ataque a tiros que matou menino de 6 anos no Litoral Norte, diz polícia
A polícia apontou que um esquema de agiotagem pode estar por trás do ataque a tiros que terminou na morte de um menino de 6 anos, no último fim de semana, em Imbé, no Litoral Norte do Rio Grande o Sul. Uma operação integrada entre Polícia Civil e Brigada Militar foi deflagrada, na manhã dessa quarta-feira (10), para apurar o crime. Após a ofensiva, uma coletiva de imprensa foi promovida pela polícia para detalhar as ações.
O ataque aconteceu no final da tarde de domingo (7). A BM foi chamada para atender a ocorrência. Câmeras de segurança registraram o episódio. De acordo com as imagens, três homens armados chegaram em um automóvel Ford Ka. Dois deles descem do veículo e entram na residência já atirando. Conforme a investigação, os criminosos atiraram mais de 50 vezes com pistolas.
Seis pessoas da mesma família estavam no imóvel. Os disparos atingiram Bryan Vidal Ferreira na cabeça e em um dos braços. O pai dele, o policial militar da reserva de 50 anos, também foi alvejado em um dos braços e segue internado. A criança recebeu os primeiros atendimentos na Policlínica de Imbé, mas, devido à gravidade dos ferimentos, precisou ser removido para Porto Alegre. No entanto, ele não resistiu e veio a óbito na manhã de segunda-feira (8).
Mais ninguém que estava na casa ficou ferido. O alvo principal dos atiradores seria um homem que estava entre o grupo, um colombiano que é companheiro da neta do policial militar da reserva. Ele conseguiu escapar do local. Após o ataque, os criminosos fugiram e abandonaram o carro em um terreno baldio ainda na cidade. Na sequência, atearam fogo no veículo.
Na ação de ontem, os policiais cumpriram 14 mandados de busca e apreensão. Foram localizados cerca de R$ 15 mil, em peso colombiano, euro e dólar e algumas notas falsas de reais. As diligências ocorreram em Imbé, Tramandaí, Capão da Canoa, e também em Campo Bom, no Vale do Sinos. Um homem de 45 anos, natural da Colômbia, foi preso em flagrante com dinheiro falso em uma casa em Tramandaí.
A investigação aponta que um grupo de colombianos está envolvido em um esquema de agiotagem no RS e em outros estados brasileiros. A prática consiste no empréstimo de dinheiro com juros altos e é considerada ilegal. Segundo a polícia, a organização criminosa utiliza de extorsão para cobrar o valor. O delegado Antônio Carlos Ractz, responsável pelo caso, disse que houve um desacerto entre os membros da quadrilha, partindo com ligação direta da Colômbia. No Brasil, o grupo estaria fazendo lavagem dinheiro por meio da agiotagem.
Na semana passada, um outro colombiano, de 30 anos, foi morto em Capão da Canoa. O homem seguia em uma motocicleta às margens da Estrada do Mar, quando foi alvejado a tiros. A polícia suspeita de que ele estivesse atuando como agiota e alega já ter elucidado o crime.
Na operação dessa quarta, também foram apreendidas três motocicletas, capacetes e roupas que teriam sido utilizadas durante os homicídios, além de celulares. Uma das motos, encontrada em Tramandaí, teria sido usada no homicídio em Capão da Canoa. Os policiais apreenderam ainda documentos que indicam o envio de dinheiro de volta para a Colômbia.
A ligação entre os dois casos foi descoberta na segunda-feira. Neste momento, a investigação tenta esclarecer o que motivou o ataque, embora já saiba que esteja vinculado às ações do grupo. As principais hipótese são de que pode se tratar de represália ou mesmo de desentendimento entre os envolvidos no esquema criminoso. Tanto o colombiano assassinado em Capão da Canoa, quanto o que estava na moradia da família atacada, eram moradores de Imbé.
A polícia ainda tenta localizar o homem que escapou dos disparos na casa do policial militar aposentado. Mesmo que o caso envolva estrangeiros, os atiradores que atingiram a criança eram brasileiros, segundo as autoridades. O homem preso ontem, assim como testemunhas e suspeitos, serão ouvidos no decorrer da investigação.
