A Via, empresa proprietária das renomadas marcas Casas Bahia e Ponto (antigo Ponto Frio), divulgou hoje um ambicioso plano de negócios visando uma reestruturação significativa. O plano inclui a iminente clausura de até 100 lojas ao longo de 2023 e uma redução de quadro de funcionários em torno de 6 mil colaboradores.

A estratégia delineada pela Via, que também abrange uma série de ajustes em seu modelo operacional, tem como objetivo primordial a diminuição de estoques em até R$ 1 bilhão ainda este ano. Além disso, a companhia planeja uma mudança no financiamento do crediário, uma modalidade de pagamento oferecida a seus clientes.

Renato Horta Franklin, atual presidente da Via, explicou que a empresa já está em processo de fechamento de lojas deficitárias. A intenção é encerrar entre 50 e 100 estabelecimentos que têm registrado operações no vermelho, ao mesmo tempo em que haverá uma revisão do quadro de funcionários.

Uma das medidas mais marcantes é a transferência da comercialização de produtos menos lucrativos, especialmente itens de menor valor, para sua plataforma de comércio eletrônico, o chamado marketplace.

Franklin enfatizou que essa remodelação da estrutura da empresa resultará em uma liberação de estoques estimada em R$ 200 milhões provenientes do fechamento das 100 lojas mencionadas.

Essas mudanças ocorrem em sequência a alterações na alta administração da companhia durante o segundo trimestre. Renato Horta Franklin assumiu a presidência da varejista após sair da Movida, enquanto Elcio Mitsuhiro, com experiência em empresas como Iochpe-Maxion e BRF, assumiu o cargo de diretor financeiro.

A nova gestão da Via também prevê uma redução significativa nos investimentos (“capex”), estimando uma diminuição de até 40% em relação a 2022. Com todas essas modificações operacionais, a empresa projeta atingir um lucro líquido antes dos impostos de até R$ 1 bilhão, embora ainda não haja uma previsão precisa para isso.

As mudanças estratégicas delineadas têm potencial para gerar ganhos de lucro consideráveis até 2025. Mitsuhiro enfatizou que essa não é uma estratégia a longo prazo, mas não entrou em detalhes sobre o cronograma específico.

No que tange à sua estrutura de capital, a Via planeja colocar parte de sua carteira de crediário no mercado de capitais por meio de um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC), permitindo uma liberação de limites de crédito significativos para a empresa.

O plano também inclui uma continuação da estratégia de monetização de créditos fiscais, visando gerar R$ 2,5 bilhões em 2023. Parte desse valor já foi monetizado, enquanto a empresa busca gerar mais R$ 500 milhões por meio da monetização de outros ativos, como operações de “sale and leaseback” com lojas.

Essas medidas vêm na sequência de um prejuízo trimestral de R$ 492 milhões para o período de abril a junho, comparado a um lucro de R$ 6 milhões no mesmo período do ano anterior. A receita líquida também sofreu queda de 2,1% em relação ao ano anterior, totalizando R$ 7,49 bilhões, com margem bruta de 28,5%.

O plano de reestruturação da Via demonstra uma adaptação estratégica à evolução do mercado e busca maximizar a rentabilidade em meio a um ambiente desafiador.

Com informações do Portal G1.