No início da madrugada desta quinta-feira, 16 de novembro, a pequena A.V.F.G., de apenas 3 anos, não resistiu aos ferimentos causados pelo incidente com o ônibus que realizava o transporte escolar do município de São José do Ouro, na região nordeste do RS. Neste momento de perda e dor, a família agradece pelas orações e pelo apoio recebido dos amigos e clama por justiça, para que todos os responsáveis sejam identificados e punidos.

O advogado que representa a família, Reginaldo Leonel Ferreira, esclarece que, ao contrário do que inicialmente foi divulgado, a vítima não tentou passar pela frente do ônibus do município. Ela saía do veículo quando o motorista deu partida e a menina pode ter sido derrubada pela própria roda. Com o abrupto arranque do veículo, a irmã, de 7 anos, tentou puxá-la e gritou, mas o motorista deixou o local sem prestar assistência.

A avó estava presente no local, caminhava pela traseira do transporte escolar para buscar as duas netas. Ao ver a criança caída e a irmã gritando que o motorista a tinha atropelado, a avó ainda tentou chamá-lo aos gritos, mas correu para pegar a menina nos braços e buscar socorro.

Quanto ao auxílio da Prefeitura, a família esclarece que se limitou ao transporte de doadores de sangue, mas o abrigamento foi realizado na casa de apoio já mantida exatamente para familiares de pacientes do SUS.

Os esclarecimentos são necessários, pois além da dor e apreensão pela saúde da caçula, a família teve que suportar uma série de agressões, insultos e acusações em redes sociais e comentários de matérias jornalísticas. A repercussão, inicialmente destinada a estimular a busca por justiça e solidariedade à família, lamentavelmente se transformou em um fardo adicional para os entes queridos. Ao ler comentários de aspecto negativo na internet, além de lidar com a saúde delicada da criança durante uma semana, também precisaram confrontar o peso emocional dessas críticas.

Karoline Oliveira, a tia da vítima, conta também como é a relação familiar dentro de casa. “Minha irmã é uma mãe maravilhosa, nós fomos criadas por bons exemplos. Minha avó e minha mãe são nossas bases e os melhores exemplos. Tudo o que minha irmã faz é pensando nos filhos dela, superprotetora, se culpa por isso ter acontecido com a Gilinha”, ressalta a tia, citando o apelido carinhoso como a sobrinha era chamada pela família. “Minha avó também faz tudo pelas meninas e as meninas por ela, uma relação de outras vidas, acredito eu. A cumplicidade e o amor que uma tem pela outra é bonito de ver”, lembra.

Segundo o advogado, que compareceu à delegacia de polícia de São José do Ouro ainda nesta quarta, “a família confia plenamente na Polícia Civil local e nas investigações em andamento, aguardando a correta identificação da responsabilidade tanto pelo acidente, como por eventual omissão do município na fiscalização do transporte escolar. Na delegacia, encontramos uma equipe empenhada na elucidação dos fatos e tratando o assunto com a urgência e cuidado necessários”.

Além disso, o representante confirma que levou ao conhecimento do Delegado que preside o inquérito, cópias de relatos recebidos por terceiros, narrando acidentes e situações de trânsito que supostamente envolveriam o mesmo motorista.

Os familiares enlutados apelam por compreensão e empatia, a fim de preservar sua dignidade neste momento de perda. Assim, agradecem antecipadamente pela privacidade que precisam para o luto.