A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (2/7) a Operação Black Friday, desarticulando um grupo criminoso suspeito de desviar donativos destinados às vítimas das enchentes que devastaram o sul do Espírito Santo no início do ano.

Cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados aos investigados, localizados em Cachoeiro de Itapemirim e outras cidades da região. Além disso, a Justiça Federal determinou o sequestro de bens e o bloqueio de valores em contas bancárias dos suspeitos.

As investigações, iniciadas no dia 20 de junho, apontaram que as subtrações dos donativos ocorreram entre os dias 2, 8 e 16 de junho deste ano. O principal articulador do esquema era um funcionário terceirizado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que se aproveitava da sua função para ter acesso facilitado aos produtos armazenados.

Com a ajuda de outras três pessoas, o funcionário retirou, sem autorização, 49 geladeiras, 43 fogões, oito cestas básicas, 153 itens de higiene pessoal e diversos outros materiais que deveriam ser entregues às vítimas das inundações.

Os donativos estavam armazenados na Conab por meio de um acordo firmado entre a empresa pública e a Defesa Civil do Espírito Santo. O objetivo era garantir um atendimento rápido e eficaz às famílias afetadas pelas enchentes.

A ação da quadrilha causou grande comoção na comunidade local, que se mobilizou para ajudar as vítimas do desastre natural. A PF reitera seu compromisso no combate à corrupção e à criminalidade, especialmente em situações que exploram a fragilidade das pessoas em momentos de necessidade.

A operação recebeu o nome “Black Friday” em alusão à data comercial conhecida por ofertas e promoções, que muitas vezes incentivam o consumo desenfreado. A PF utilizou essa analogia para criticar a atitude gananciosa dos investigados, que se aproveitaram da desgraça alheia para obter vantagens pessoais.

Os investigados responderão pelos crimes de peculato e associação criminosa, cuja pena pode chegar a 15 anos de reclusão e multa. A PF espera que a operação sirva como um exemplo para coibir novas ações dessa natureza e que os responsáveis sejam punidos com rigor pela Justiça.