Fenômeno raro traz granizo, ventos fortes e chuva intensa ao Rio Grande do Sul
Primeiro Complexo Convectivo da primavera surpreende moradores e acende alerta para novos episódios nas próximas semanas
A madrugada desta terça-feira (30) foi marcada pela chegada do primeiro Complexo Convectivo de Mesoescala (CCM) da primavera, fenômeno de grande porte registrado no Cone Sul e que avançou em direção ao território gaúcho. Identificado por satélite nas primeiras horas do dia, o sistema se originou entre o Paraguai e a província argentina de Corrientes, trazendo instabilidade e temporais a diferentes cidades do norte do estado.
Em municípios como Boa Vista das Missões, Getúlio Vargas e Sertão, os efeitos foram sentidos ainda na noite anterior. Moradores relataram queda de granizo, destelhamento de residências e árvores derrubadas sobre rodovias, causando transtornos, mas sem bloqueios graves. Apesar de os danos terem sido mais localizados no Rio Grande do Sul, a MetSul Meteorologia destacou que a intensidade do fenômeno foi maior nos países vizinhos.
O CCM é formado por grandes aglomerados de nuvens carregadas que se organizam em ambiente de ar quente e úmido, geralmente entre o fim da tarde e a madrugada. Esse tipo de sistema pode atingir até 15 quilômetros de altura, com topos de nuvem em temperaturas extremas, entre -70°C e -90°C, sinal de sua intensidade. Na primavera e no verão, as condições de calor e instabilidade aumentam a frequência desses episódios, que costumam trazer chuvas volumosas, rajadas de vento e risco de granizo.
Meteorologistas reforçam que a combinação de calor elevado, alta umidade e instabilidade atmosférica deve se repetir ao longo das próximas semanas, elevando a probabilidade de novos complexos sobre o território gaúcho. A recomendação é que a população fique atenta a alertas meteorológicos e adote medidas preventivas diante da possibilidade de novos temporais associados a esse fenômeno climático.
