O Ministério Público recebeu nesta quinta-feira (9) o inquérito que indiciou três líderes de uma comunidade espiritual localizada em Viamão, na região metropolitana de Porto Alegre. Eles são acusados de praticar 13 crimes distintos, incluindo tortura, estelionato, violência sexual mediante fraude e curandeirismo. Segundo a investigação da Polícia Civil, cerca de 40 pessoas foram vítimas das práticas abusivas, que também teriam gerado o desvio de mais de R$ 20 milhões em recursos dos seguidores.

O local funcionava como um centro de imersões e terapias alternativas, mas escondia uma complexa estrutura de manipulação emocional e financeira. Pacotes de entrada custavam até R$ 12 mil, além de mensalidades para viver na comunidade. Os participantes eram persuadidos a fazer empréstimos bancários e entregar o dinheiro ao grupo, que usava os recursos para bancar viagens de luxo e apostas online. Também eram vendidos pães, produtos orgânicos e outros itens nas ruas da capital, sob o pretexto de financiar o coletivo.

A investigação foi iniciada após denúncias feitas por ex-integrantes em 2022, revelando práticas violentas sob o disfarce de espiritualidade, incluindo supostas terapias que envolviam sexo livre e meditações forçadas. Um vídeo obtido pela polícia mostra uma conversa de teor sexual envolvendo um menor, o que reforçou a gravidade das acusações. Apesar da robustez das provas reunidas, os três suspeitos seguem em liberdade com monitoramento por tornozeleira eletrônica, sem poder manter contato com as vítimas ou deixar o país.

Instalada em uma área rural de 42 hectares desde 2005, a comunidade chegou a abrigar cerca de cem pessoas, incluindo profissionais de diversas áreas e estrangeiros. Inspirado em preceitos de um mestre espiritual indiano, o grupo prometia autoconhecimento, mas, segundo a polícia, promovia uma série de violações físicas e psicológicas. A delegada responsável descreveu o funcionamento da seita como uma engrenagem de controle sistemático da fé, da sexualidade e da renda de seus seguidores.