Polícia Civil do RS deflagra Operação Mirage contra organização criminosa de golpes de falsos investimentos
Ação cumpriu 125 ordens judiciais e prendeu três suspeitos em São Paulo e Goiás; esquema causou prejuízo de mais de R$ 4 milhões a uma vítima gaúcha

Na manhã de terça-feira, 13 de janeiro de 2026, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, por meio da Delegacia de Polícia de Investigações Cibernéticas Especiais (Dicesp/Dercc), deflagrou a Operação Mirage no combate a uma organização criminosa especializada em golpes de falsos investimentos. A investigação apurou crimes de estelionato com fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Ao todo, foram cumpridas 125 ordens judiciais, incluindo cinco mandados de prisão preventiva, 13 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Goiás, bloqueio de contas de 85 pessoas físicas e jurídicas, sequestro de veículos e bloqueio de carteiras de criptoativos em 17 exchanges. Até o momento, três pessoas foram presas. Durante as ações, foram apreendidos milhares de chips de telefonia, celulares, computadores e veículos de luxo.
Segundo a delegada Isadora Galian, as investigações identificaram um sofisticado esquema criminoso que causou prejuízo superior a R$ 4,3 milhões a uma única vítima gaúcha, além de indícios de que pelo menos 40 pessoas em todo o país também foram lesadas. O grupo se apresentava como uma empresa de consultoria em investimentos, utilizando anúncios em redes sociais e grupos de mensagens para atrair vítimas com promessas de alta rentabilidade.
Após conquistar a confiança das vítimas com orientações legítimas sobre o mercado financeiro, os criminosos as direcionavam para plataformas fraudulentas de criptomoedas, onde os lucros eram artificialmente inflados para encorajar novos aportes. Em um dos casos, uma vítima transferiu R$ 4,3 milhões em menos de um mês.
A investigação revelou uma estrutura dividida em núcleos especializados:
- Captação de vítimas, utilizando linhas telefônicas ativadas remotamente a partir do exterior;
- Ativação de linhas telefônicas, comandada por um suspeito conhecido como “chinês”, responsável por habilitar até mil números de celular por dia;
- Gestão e lavagem de capitais, envolvendo empresas de fachada com movimentações milionárias;
- Conversão em criptoativos, onde os valores eram transformados em stablecoins e enviados ao exterior para dificultar o rastreamento.
O delegado Filipe Bringhenti, diretor da Divisão de Repressão aos Crimes Cibernéticos, destacou que o grupo adotava o modelo de “crime as a service”, contratando operadores em São Paulo e no Camboja para executar as fraudes.
“A operação demonstra o compromisso da Polícia Civil gaúcha com o enfrentamento às organizações criminosas que utilizam o ambiente virtual para lesar cidadãos. O espaço digital não é terra sem lei”, afirmou Bringhenti.
A Operação Mirage — nome que faz referência a algo ilusório, que parece real mas desaparece ao ser alcançado — marca o início de uma investigação que deve se expandir nacional e internacionalmente, com cooperação entre países, rastreamento de ativos e identificação de novas vítimas.







