Correios apostam na venda de imóveis para enfrentar crise bilionária
Estatal quer levantar até R$ 1,5 bilhão em 2026, após anos de arrecadação tímida com ativos ociosos
Em meio a uma das fases mais delicadas de sua história, os Correios anunciaram a colocação à venda de imóveis próprios em diversas regiões do país, como parte de um plano emergencial para reequilibrar as finanças. A meta é arrecadar até R$ 1,5 bilhão até o fim de 2026, valor muito superior ao que a empresa conseguiu nos últimos anos com a alienação de bens considerados sem uso. Apenas nos últimos seis anos, as vendas somaram menos de R$ 50 milhões, revelando o desafio imposto à nova estratégia.
A primeira etapa do plano prevê leilões totalmente digitais, marcados para os dias 12 e 26 de fevereiro, com 21 imóveis disponíveis em 12 estados, incluindo São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Paraná. O portfólio reúne prédios administrativos, galpões, terrenos, lojas e apartamentos funcionais, com valores iniciais que vão de R$ 19 mil a R$ 11 milhões. Segundo a estatal, a iniciativa não comprometerá a prestação de serviços e outros imóveis ainda estão sendo preparados para futuras vendas.
A decisão ocorre em um cenário de forte deterioração financeira, marcado por prejuízos crescentes, perda de espaço no mercado de encomendas e aumento expressivo dos gastos com pessoal. Entre as medidas em andamento estão um programa de demissão voluntária, o fechamento de agências e a reorganização de cargos e benefícios, com economia estimada de R$ 2 bilhões por ano a partir de 2027. Mesmo assim, a empresa já recorreu a empréstimos bilionários com garantia do Tesouro Nacional e admite que pode precisar de novos recursos para manter as operações, enquanto especialistas apontam a necessidade de mudanças estruturais mais profundas para garantir a sustentabilidade da estatal.






