Escândalo sanitário em Imbé: quase 9 toneladas de carne imprópria são retiradas de supermercado
Operação do MP-RS ultrapassa 10 toneladas de alimentos apreendidos e leva à prisão de empresário no Litoral Norte

Uma operação da Força-Tarefa do Programa Segurança dos Alimentos resultou na retirada de mais de 10 toneladas de produtos impróprios para consumo em Imbé, no Litoral Norte gaúcho, entre quarta e quinta-feira (12). O caso mais grave ocorreu em um único supermercado, onde foram recolhidas cerca de 8,8 toneladas de carnes e pescados armazenados de forma irregular, o maior volume já registrado pela equipe na região litorânea. O proprietário foi preso em flagrante, encaminhado à Delegacia de Polícia e responderá por crime contra as relações de consumo. O estabelecimento integra uma rede com 12 filiais no Litoral Norte.
Nos contêineres instalados na área externa e nas dependências internas do mercado, os fiscais encontraram carnes bovinas, suínas, ovinas, frango, miúdos, bacon, hambúrgueres e diferentes tipos de peixe em condições inadequadas. Havia produtos vencidos, sem procedência, com embalagens violadas ou mantidos em temperaturas incompatíveis, além de alimentos com aspecto, cor e odor característicos de deterioração. Também foram constatados equipamentos em mau estado, caixas plásticas sujas e forte odor de esgoto nas proximidades. Na câmara fria do açougue, cortes rotulados como “carne de processamento” apresentavam revalidação de datas, agravando as irregularidades. Parte do material — aproximadamente meia tonelada — foi considerada apta para nutrição animal após inspeção veterinária e destinada ao Zoológico de Sapucaia do Sul.
A fiscalização começou na quarta-feira e alcançou sete estabelecimentos, incluindo mercados, padarias e restaurantes. Cinco locais foram totalmente interditados devido às condições precárias de higiene e estrutura, e todos acabaram autuados. Muitos operavam com alvarás vencidos desde 2020 e 2021, situação que será investigada. Diante da gravidade do cenário, a Força-Tarefa cancelou ações previstas em outras praias para concentrar esforços em Imbé. O Ministério Público também solicitará à Vigilância Sanitária Municipal informações sobre autos de infração emitidos no último ano, já que, em apenas um dia, cinco interdições foram realizadas na cidade, levantando preocupação sobre a fiscalização local. A operação contou com promotores de Justiça, integrantes do GAECO, Vigilância Sanitária, Secretaria da Saúde, SEAPI, PATRAM, DECON e apoio do Corpo de Bombeiros.










