Motoristas que trafegam pelo sul do Rio Grande do Sul passaram a circular sem cobrança de pedágio nas rodovias do polo de Pelotas a partir da meia-noite desta quarta-feira (4). A mudança ocorreu após o encerramento do contrato entre o governo federal e a concessionária Ecovias Sul, que administrou os trechos por 28 anos. Com o fim da concessão, quatro praças deixaram de cobrar tarifa: duas na BR-392, em Canguçu e Rio Grande, e duas na BR-116, em Pelotas e Jaguarão.

As tarifas estavam entre as mais altas do Brasil. Motoristas de carros pagavam R$ 19,60 em cada praça, valor que chegou a colocar o pedágio entre os mais caros do país. Para caminhoneiros, o impacto era ainda maior: em trajetos como Porto Alegre a Rio Grande, os custos podiam chegar a cerca de R$ 350, dependendo do número de eixos. Nos últimos anos, veículos de carga pagavam de R$ 39,10 a R$ 117,40 por praça, enquanto caminhões maiores chegavam a desembolsar valores ainda mais altos.

Com o término da concessão, a responsabilidade pela manutenção das rodovias passa ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), que contratou empresas para serviços de conservação, como roçada e drenagem. Já o atendimento a acidentes e resgates deixa de ser feito pela concessionária e passa aos municípios, o que preocupa autoridades pela possível demora no socorro. Uma nova concessão para os trechos está prevista apenas para 2027, com expectativa de mais de R$ 6 bilhões em investimentos, enquanto a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) realizará audiências públicas ainda neste mês para discutir o projeto.