A escalada do conflito no Oriente Médio tem provocado forte impacto no mercado internacional de energia e ampliado a diferença entre os preços do combustível no Brasil e no exterior. Segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a defasagem média do diesel no país chegou a 58%, atingindo um novo recorde. Considerando apenas as refinarias da Petrobras, essa diferença chega a 64% em relação ao mercado internacional.

A alta ocorre em meio à valorização do petróleo Brent, que fechou acima de US$ 87 por barril na quinta-feira (5) e segue em forte elevação, aproximando-se de US$ 89. Para acompanhar os valores praticados no exterior, a Petrobras precisaria aumentar o diesel em cerca de R$ 2,07 por litro nas refinarias. Mesmo diante desse cenário, a estatal não reajusta o preço do diesel há 305 dias, enquanto refinarias privadas já começaram a fazer correções nos valores.

A gasolina também apresenta defasagem significativa, com diferença média de 25% em relação ao mercado externo. Para atingir o preço internacional, o reajuste necessário seria de aproximadamente R$ 0,69 por litro. Especialistas alertam que a continuidade do conflito pode pressionar ainda mais os preços globais: bancos e analistas já apontam que o petróleo pode ultrapassar US$ 100 por barril, e há projeções de que possa chegar a US$ 150 caso as tensões no Oriente Médio se prolonguem.