Após quatro dias de intensos combates, o Irã demonstra uma capacidade de resistência superior à prevista inicialmente pelos Estados Unidos, assumindo o que especialistas chamam de “iniciativa de guerra”. A análise é do major-general português Agostinho Costa, que aponta o fechamento parcial do Estreito de Ormuz e a manutenção da estrutura de governo em Teerã como sinais de que o objetivo estadunidense de derrubar o regime rapidamente não foi alcançado. Segundo o militar, o Irã se preparou para o confronto dispersando seu arsenal balístico e utilizando a rede de satélites chineses BeiDu para realizar ataques de precisão contra bases americanas.

A estratégia iraniana foca em dois pilares: a expulsão das forças dos EUA do Golfo Pérsico e o esvaziamento dos estoques de defesa aérea de Israel através do uso massivo de drones e mísseis de gerações anteriores. O general destaca que a logística dos EUA tornou-se complexa, uma vez que diversas bases na região estariam inoperantes, forçando operações distantes a partir de porta-aviões. Além disso, a presença de lanchas rápidas iranianas equipadas com mísseis garante a Teerã o controle sobre rotas comerciais vitais de petróleo, pressionando a economia global.

No campo diplomático, o cenário permanece de impasse e contradições. Enquanto o presidente Donald Trump afirmou que as lideranças do Irã “acabaram” e que seria “tarde demais” para negociar, o Conselho de Segurança Nacional do Irã desmentiu qualquer intenção de diálogo com Washington. O conflito entra em uma fase de incerteza econômica e militar, com alertas de inteligência indicando riscos de falta de munição para os EUA em caso de uma campanha prolongada, contrastando com o discurso oficial da Casa Branca de recursos ilimitados.