O empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, admitiu que teve passagens aéreas e hospedagem pagas por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, durante viagem a Portugal no fim de 2024. Segundo relato feito a interlocutores e divulgado pela imprensa, o deslocamento teve como objetivo conhecer uma fábrica de cannabis medicinal e avaliar a possibilidade de investimento no setor. Ele sustenta, no entanto, que a parceria não avançou e que não recebeu outros valores do lobista, as informações foram divulgados por reportagem do Estadão publicada nesta segunda-feira (2).

A aproximação entre os dois teria ocorrido por meio da empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal. Conforme a reportagem, a viagem incluiu bilhetes em primeira classe e despesas de hotel custeadas por Antunes. Lulinha afirma que desconhecia qualquer envolvimento do lobista em irregularidades relacionadas ao INSS e diz não ter ligação com o esquema investigado. Procurados, os citados não se manifestaram.

O nome de Lulinha passou a integrar as discussões da CPMI do INSS após a aprovação da quebra de seu sigilo bancário, medida defendida pelo relator Alfredo Gaspar (União-AL). A investigação considera mensagens apreendidas pela PF que mencionariam pagamentos ao “filho do rapaz” e a suspeita de repasses mensais de R$ 300 mil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, em janeiro, que conversou com o filho sobre o caso e afirmou que, se houver qualquer envolvimento comprovado, ele deverá responder pelos próprios atos.