A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Viamão, deflagrou na manhã de quarta-feira, 25 de março, a Operação Risco Zero, com o objetivo de combater crimes de estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Ao todo, foram cumpridas 28 medidas cautelares, incluindo mandados de busca e apreensão, quebras de sigilo bancário e fiscal, bloqueio de contas bancárias, suspensão cautelar de atividade de pessoa jurídica, sequestro de veículos e medidas protetivas em favor das vítimas. As ordens judiciais foram executadas nas cidades de Cachoeirinha, Caxias do Sul e São Paulo, visando aprofundar as investigações e fortalecer a comprovação dos crimes.

Durante a operação, os policiais apreenderam dois veículos utilizados pelos investigados com indícios de ocultação de patrimônio, além de bebidas de origem estrangeira e documentos considerados de grande relevância para o andamento das investigações.

Segundo o delegado Alexandre Luiz Fleck, as investigações tiveram início em 2025, quando foi constatado que um grupo, liderado por uma empresária da cidade de Cachoeirinha, teria aplicado diversos golpes que resultaram em prejuízo aproximado de R$ 3,5 milhões às vítimas já identificadas.

A principal modalidade utilizada consistia em atrair investidores para supostas aplicações em “day trade”, com promessa de retorno mensal superior a 7%, valor considerado muito acima das opções tradicionais do mercado financeiro. Inicialmente, os pagamentos eram realizados, o que atraía novos clientes. No entanto, posteriormente, os repasses deixaram de ser efetuados, e os valores investidos passaram a ser apropriados pelos investigados.

Outra estratégia identificada foi o oferecimento de investimentos para a suposta compra de caminhões de hortifruti, com promessa de alto lucro por carga adquirida. Após conquistar a confiança das vítimas, os investigados interrompiam os pagamentos, sendo constatada inclusive a emissão de notas fiscais falsas para justificar as operações.

Também foi apurada uma terceira modalidade de golpe relacionada à venda de supostos lotes na cidade de Torres, em um empreendimento imobiliário inexistente, sem qualquer projeto ou vínculo real com os investigados.

De acordo com a Polícia Civil, todo o esquema era cuidadosamente planejado, com encenações e estratégias para conquistar a confiança das vítimas e ampliar a rede de pessoas lesadas, utilizando os valores obtidos para sustentar atividades ilícitas e manter a aparência de investimentos rentáveis.