Decolagem encurtada e vento contrário podem ter selado destino de avião que caiu no litoral gaúcho
Especialistas apontam falhas na utilização da pista e condições climáticas desfavoráveis como fatores decisivos para a tragédia com quatro mortes
Dois fatores principais estão no centro das investigações sobre a queda de um avião em Capão da Canoa, no litoral norte do Rio Grande do Sul, que resultou na morte de quatro pessoas. Especialistas em aviação indicam que a aeronave pode não ter utilizado toda a extensão disponível da pista no momento da decolagem, além de ter enfrentado vento de cauda — condição considerada inadequada para esse tipo de manobra. O caso segue sob análise da Polícia Civil e do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
Imagens de câmeras de segurança revelaram que o piloto teria iniciado a decolagem sem percorrer o trecho adicional de cerca de 300 metros que aumentaria a distância disponível para ganhar velocidade, optando por um ponto mais curto da pista. Com aproximadamente 400 metros restantes, o espaço pode ter sido insuficiente para que o monomotor atingisse a sustentação necessária. Pouco depois de deixar o solo, a aeronave atingiu estruturas próximas e caiu sobre um restaurante, provocando uma explosão que destruiu completamente o prédio.
Outro elemento considerado relevante é a direção do vento no momento da decolagem. Especialistas explicam que o vento de cauda reduz a sustentação e exige ainda mais distância para que o avião consiga subir com segurança, o que pode ter contribuído para a perda de desempenho da aeronave. Entre as vítimas estavam o piloto e três passageiros ligados à empresa proprietária do avião. Apesar da destruição total do restaurante atingido, não havia pessoas no local, pois o estabelecimento estava fechado, e os corpos das vítimas foram encaminhados para perícia.
