Picanha vira artigo de luxo e preço da carne dispara no Brasil
Alta acumulada supera a inflação e muda hábitos do consumidor, que passa a buscar alternativas mais baratas
O tradicional churrasco brasileiro está ficando cada vez mais caro, com a picanha registrando aumento de cerca de 45% nos últimos 12 meses, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O avanço dos preços colocou a carne bovina entre os itens que mais pressionam o orçamento das famílias, transformando um alimento antes comum nos fins de semana em algo reservado para momentos especiais.
Esse encarecimento não aconteceu de forma repentina, mas sim ao longo de um ciclo contínuo de valorização. Em 2024, os preços já haviam iniciado uma trajetória de alta, impulsionada por menor oferta de gado, enquanto em 2025 as exportações aquecidas mantiveram os valores elevados. Em 2026, o movimento atingiu um novo patamar, com aumentos que ultrapassam 40% em comparação com dois anos antes, configurando o nível mais alto desde o início da série histórica, em 2001.
Diante desse cenário, o comportamento do consumidor começa a mudar de forma visível. Carnes mais acessíveis, como frango e suína, ganham espaço nas compras, enquanto a carne bovina perde presença no dia a dia. Especialistas apontam que a tendência para 2026 ainda é de cautela, já que os preços devem permanecer elevados enquanto persistirem fatores como demanda forte e oferta limitada — o que mantém o churrasco como tradição, mas com cardápios cada vez mais adaptados à realidade do bolso.
