O aumento do uso do Pix no Brasil consolidou uma nova modalidade de fraude conhecida como o golpe do Pix errado. A tática consiste no envio de um valor real para a conta da vítima, seguido por um contato imediato do criminoso solicitando a devolução. O risco reside no pedido para que o dinheiro seja enviado para uma conta diferente da original. Ao fazer isso, a vítima realiza uma nova transferência com seu próprio saldo, enquanto o golpista aciona o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Banco Central para recuperar o valor inicialmente depositado, lucrando em dobro.

Especialistas alertam que a devolução de qualquer valor recebido por engano deve ser feita exclusivamente através da função oficial “Devolver valor” dentro do aplicativo bancário. Essa ferramenta garante que o dinheiro retorne exatamente para a conta de origem, registrando a operação corretamente no sistema do Banco Central e mitigando o risco de fraude. É fundamental desconfiar de abordagens com tom de urgência ou desespero, táticas comuns para evitar que o usuário analise o extrato com cautela antes de agir.

Caso a fraude seja concretizada, a vítima deve registrar a ocorrência no banco o mais rápido possível e solicitar a abertura do MED, que permite o bloqueio de valores em contas suspeitas por até 80 dias após a transação. Vale ressaltar que a não devolução de valores recebidos indevidamente pode ser configurada como apropriação indébita perante o Código Penal Brasileiro. Portanto, o procedimento correto une a honestidade da devolução com a segurança das ferramentas bancárias oficiais para proteção de ambas as partes.