PGR pede condenação de Eduardo Bolsonaro ao STF por coação
Procurador-geral afirma que ex-deputado tentou constranger ministros para interferir em processos judiciais.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou ao Supremo Tribunal Federal as alegações finais pedindo a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. A acusação sustenta que o parlamentar praticou coação no curso do processo, agindo de forma continuada para constranger ministros da Corte e interferir em ações penais relacionadas à tentativa de golpe de Estado. Eduardo Bolsonaro reside nos Estados Unidos desde o início de 2025 e é defendido pela Defensoria Pública da União após não apresentar advogados constituídos.
Segundo o documento enviado ao ministro Alexandre de Moraes nesta segunda-feira, 11 de maio, as condutas criminosas basearam-se na ameaça de sanções estrangeiras contra membros do STF e contra o próprio Brasil. A denúncia aponta que as articulações, realizadas em solo norte-americano, mobilizaram agentes políticos locais para impor gravames a cidadãos brasileiros. O objetivo central seria pressionar o Judiciário a não condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro no âmbito das investigações sobre a trama golpista.
A investigação utiliza dados extraídos de celulares apreendidos e declarações públicas em redes sociais para embasar a tese de obstrução à Justiça. A PGR destaca que as ações da dupla formada por Eduardo e Paulo Figueiredo resultaram em medidas econômicas, como o tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil, posteriormente suspenso pela Suprema Corte estadunidense. O processo segue em tramitação para apurar se as iniciativas buscavam beneficiar diretamente o ex-presidente, já condenado em outras instâncias.
