Correios registram prejuízo de R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre de 2026 e reestruturam operações
Correios ampliam prejuízo e ampliam provisões; plano de reestruturação visa recuperar equilíbrio financeiro até 2027

Correios fecharam o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo de R$ 3,16 bilhões, aumento de 82,3% ante o mesmo período de 2025. A estatal contabilizou perdas de R$ 1,72 bilhão no 1º tri de 2025, e o resultado negativo acompanha o recorde de R$ 8,5 bilhões de prejuízo em 2025.
Segundo o balanço, o desempenho foi impactado por queda nas receitas, aumento das despesas financeiras e revisão das provisões para processos judiciais.
O principal item extraordinário foi a provisão de R$ 1,06 bilhão relacionada a ações trabalhistas. A reserva contábil foi criada para cobrir perdas em processos em tramitação, prática já defendida por órgãos de controle como o TCU e a CGU. A atualização elevou o total reservado para contingências judiciais de R$ 3,6 bilhões (2025) para R$ 4,66 bilhões (março de 2026).
Entre as receitas, houve queda em encomendas (-5,5%), postagens internacionais (-60,3%), e mensageria (-11,4%), enquanto outras receitas subiram 48%. No lado dos custos, houve redução de gastos com itens como produtos e serviços (-7,6%) e pessoal (-4,1%), com o PDV de 2024 contribuindo para a diminuição dos custos trabalhistas.
As despesas financeiras saltaram para R$ 985 milhões, ante R$ 283 milhões no 1º tri de 2025, reflexo de financiamentos para reforçar o caixa e sustentar o plano de recuperação. Também houve aumento relevante nas indenizações por atraso a clientes: de R$ 2 milhões em março de 2025 para R$ 30,5 milhões em março de 2026, evidenciando os problemas operacionais.
Em resposta, desde setembro de 2025 a estatal implementa um cronograma de reestruturação sob a liderança de Emmanoel Rondon, incluindo redução de despesas administrativas, revisão de contratos, venda de imóveis ociosos, modernização tecnológica, ajustes logísticos e busca por novas fontes de receita. Em 2025, também houve contratação de um empréstimo de R$ 12 bilhões garantido pela União para regularizar passivos e financiar a reorganização.
Apesar do prejuízo, o lucro bruto atingiu R$ 153,4 milhões, ainda assim insuficiente para reverter o quadro de dificuldades. A meta é concluir a reestruturação e retornar ao equilíbrio a partir de 2027.
Fonte: Agência Brasil







