A pecuária bovina no Rio Grande do Sul está sob atenção em 2026 diante da previsão de um fenômeno El Niño de forte intensidade. Assim como ocorre na agricultura, a prevenção é considerada fundamental para reduzir possíveis prejuízos nas próximas estações.
A pesquisadora e professora Soraya Tanure, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), alerta que chuvas mais intensas e mudanças abruptas de temperatura devem estar no radar dos pecuaristas. Segundo ela, os riscos vão além de enchentes ou da degradação de pastagens pelo excesso de água.
Com o solo saturado, a locomoção dos animais fica mais difícil, e o manejo inadequado pode ampliar perdas. Conforme a especialista, o pisoteio do gado em solo encharcado destrói a estrutura da terra, causando compactação e erosão, o que compromete a produtividade das forrageiras a médio e longo prazo.
Essas condições também elevam o custo operacional e reduzem a rentabilidade da atividade pecuária.
A atenção dos produtores deve ir além da nutrição animal. O estresse térmico também impacta o ganho de peso e reduz a eficiência produtiva. Na pecuária leiteira, o cuidado precisa ser ainda maior, já que vacas em lactação são mais sensíveis às mudanças de temperatura.
Além das chuvas acima da média, o El Niño pode trazer temperaturas mais elevadas, combinação que favorece a proliferação de parasitas, fungos e bactérias, aumentando a incidência de doenças.
Para reduzir eventuais prejuízos, a pesquisadora orienta que os produtores acompanhem os prognósticos atualizados e adotem medidas preventivas. Entre as ações recomendadas está a gestão forrageira, com diversificação das fontes de alimentação animal para diminuir a dependência exclusiva do pasto.
Outra medida importante é o planejamento antecipado, com uso de ferramentas de gestão, controle dos números da propriedade e avaliação de riscos e oportunidades.
Com a previsão de maior intensidade do fenômeno na primavera, ainda há tempo para organizar reservas de alimento, como silagem e feno, garantindo suplementação nos períodos de maior precipitação e reduzindo os efeitos do pisoteio nas áreas de pastagem.
A especialista também destaca o manejo rotacionado como uma prática simples e acessível, capaz de evitar o pisoteio excessivo e a degradação do solo.
O controle sanitário deve ser reforçado. Ambientes quentes e úmidos favorecem a proliferação de mosca-do-chifre e carrapato, que podem causar anemia e transmitir doenças como a Tristeza Parasitária Bovina.
Soraya recomenda atenção especial a animais desnutridos, devido ao maior risco de infecções secundárias, além da manutenção das vacinas em dia, incluindo imunização contra rinotraqueíte infecciosa, leptospirose e diarreia viral bovina.








