Governo lança campanha para ampliar visibilidade e defesa dos direitos LGBTQIA+

Iniciativa “O Brasil é de todas as cores: para todas as pessoas” apresenta ações do governo federal para garantir direitos, fortalecer políticas públicas e atender pessoas LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade

O Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania lançou, na quinta-feira, 4 de junho, em São Paulo, a campanha “O Brasil é de todas as cores: para todas as pessoas”. A iniciativa busca dar transparência às ações desenvolvidas pelo governo federal para a garantia de direitos da população LGBTQIA+ e ampliar o alcance de políticas públicas voltadas a pessoas em situação de vulnerabilidade.

O lançamento ocorreu durante a 25ª edição da Feira Cultural da Diversidade e Empreendedorismo LGBT+, realizada no Vale do Anhangabaú, no centro da capital paulista. O evento é promovido pela Parada do Orgulho LGBT+ e organizado pela Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP).

Segundo o ministério, desde 2023 foram investidos mais de R$ 61 milhões em ações de promoção e defesa dos direitos humanos da população LGBTQIA+ no Brasil. O investimento permitiu o atendimento de mais de 330 mil pessoas em situação de vulnerabilidade social pelo Programa Nacional de Fortalecimento das Casas de Acolhimento LGBTQIA+, o Acolher+.

Outra iniciativa destacada foi a Estratégia Nacional de Trabalho Digno, Educação e Geração de Renda para Pessoas LGBTQIA+, o Empodera+, que possibilitou a capacitação de mais de 5 mil pessoas por meio de programas voltados à autonomia econômica, geração de renda e ampliação de oportunidades.

A secretária nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, Symmy Larrat, afirmou que este foi o maior orçamento da história para a área. Segundo ela, os recursos foram destinados principalmente a ações de empregabilidade, trabalho digno e acolhimento de pessoas LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade.

“A gente está aqui no corpo a corpo mostrando para as pessoas o que nós conseguimos fazer mesmo com o apagão que tivemos, com o desmonte que tivemos”, declarou.

Symmy também destacou ações voltadas ao bem-viver e à presença do governo em diferentes territórios. “A gente não quer falar só com a população LGBTQIA+ que vem numa migração forçada da sua cidade para os grandes centros urbanos. Então, fomos para o território de fronteira e para as aldeias indígenas, e isso produziu muito diálogo, com acesso a direitos e redes protetivas”, afirmou.

A Feira Cultural da Diversidade e Empreendedorismo LGBT+ reúne mais de 180 artistas e 100 expositores, com programação gratuita voltada à cultura, cidadania, inclusão social e geração de renda. De acordo com o coordenador artístico do evento, Heitor Werneck, o espaço foi criado para fortalecer pequenos negócios, gerar oportunidades comerciais e ampliar a visibilidade de empreendedores LGBTQIA+.

“Temos aqui um espaço para falar sobre sexualidade. Além disso, somos o único evento do Brasil que é 100% inclusivo. Damos espaço para LGBTs que são cadeirantes, por exemplo. Aqui tem espaço para eles. E eles estão aqui se apresentando, cantando ou frequentando o espaço”, afirmou Werneck.

Entre os visitantes estava Fabrício Florencio, de 23 anos, morador de São Paulo. Para ele, a feira representa um espaço de encontro e fortalecimento da comunidade. “Acho a feira muito importante. Não só por eventos como a Parada, mas também por ter um momento em que podemos encontrar semelhantes aos nossos e que estão aqui lutando pela mesma coisa, o direito de existir”, disse.

Durante todo o dia, a feira ofereceu exibições de cinema, intervenções artísticas e rodas de conversa sobre temas como saúde mental, redução de danos, direitos humanos, combate à discriminação, inclusão social, diversidade e fortalecimento das políticas públicas.

A programação também homenageou artistas e personalidades que contribuíram para a história da comunidade LGBTQIA+ no país, reforçando a importância da arte como instrumento de transformação social e resistência cultural. O encerramento ficou por conta da cantora MC Trans, que cedeu seu cachê diante das dificuldades de patrocínio enfrentadas pela ParadaSP neste ano.

Segundo Werneck, empresas e o poder público vêm reduzindo orçamentos destinados a causas LGBTQIA+, o que tem dificultado a realização de eventos e a manutenção de projetos sociais e culturais ao longo do ano.

“É importante para as pessoas verem que, mesmo sem patrocínio, se faz a feira”, afirmou. Segundo ele, a ParadaSP contribui para a economia da cidade, com ocupação de 98% da rede hoteleira de São Paulo e geração direta de 1,8 mil empregos.

A Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo será realizada no domingo, 7 de junho, na Avenida Paulista. Neste ano, o evento celebra 30 anos de existência com o tema “30 anos da Parada SP: a rua convoca, a urna confirma”. A proposta é promover reflexões sobre cidadania, democracia, direitos conquistados e participação social.

“A gente sabe que precisa estar organizada nas ruas. Foi esse processo organizado que trouxe uma conquista, que é a própria secretaria. Se hoje eu estou secretária, é fruto dessa luta, é fruto dessa jornada. E a gente não pode deixar de sair nas ruas mesmo quando o discurso de ódio internacional tem se intensificado contra nós”, afirmou Symmy Larrat.

Fonte: Agência Brasil

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