Campanha pressiona Fifa por Copa do Mundo sem publicidade de refrigerantes
Mais de 100 organizações defendem o fim do patrocínio de bebidas açucaradas em competições esportivas e alertam para impactos na saúde de crianças e adolescentes
A campanha Tirem o Refrigerante de Campo está pressionando a Federação Internacional de Futebol (Fifa) a encerrar contratos de patrocínio com fabricantes de bebidas açucaradas. O movimento defende que esta seja a última Copa do Mundo com publicidade de refrigerantes.
A iniciativa reúne mais de 100 organizações da sociedade civil de vários países, principalmente das áreas de saúde, meio ambiente e direitos da infância. Oito entidades brasileiras participam da mobilização, entre elas o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), o Instituto Desiderata e a Aliança pela Alimentação Saudável.
Até a tarde de terça-feira, 14 de julho, cerca de 720 mil pessoas haviam apoiado a campanha, segundo informações divulgadas pelo movimento.
Entidades enviam carta aberta à Fifa
As organizações encaminharam uma carta aberta ao presidente da Fifa, Giovanni Infantino, na qual demonstram preocupação com a associação entre futebol, bem-estar e produtos relacionados a problemas de saúde.
A campanha classifica essa estratégia como sportswashing, expressão usada para descrever a utilização do prestígio e da popularidade do esporte para melhorar a imagem de determinados produtos ou empresas.
Segundo a carta, bilhões de torcedores, incluindo crianças, são expostos durante a Copa do Mundo a campanhas publicitárias que vinculam grandes estrelas do futebol ao consumo de bebidas açucaradas.
O movimento afirma que o consumo frequente desses produtos está associado ao aumento do risco de obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e mortalidade por diferentes causas.
De acordo com os dados apresentados pela campanha, o acréscimo de 250 mililitros de bebidas adoçadas na ingestão diária estaria relacionado a um aumento de 12% no risco de obesidade, 19% no risco de diabetes tipo 2 e 13% no risco de morte por causas cardiovasculares. Os números são divulgados pelas entidades responsáveis pela mobilização.
Preocupação com crianças e adolescentes
A diretora executiva do Instituto Desiderata, Renata Couto, afirma que a publicidade de refrigerantes em grandes eventos esportivos pode influenciar os hábitos alimentares de crianças e adolescentes.
Segundo ela, a estratégia de marketing pode fidelizar consumidores desde cedo e contribuir para comportamentos alimentares prejudiciais à saúde em curto, médio e longo prazos.
A campanha também destaca que uma lata de refrigerante de 355 mililitros pode ultrapassar, para muitas crianças e adolescentes, a quantidade diária recomendada de calorias provenientes de açúcares livres.
Movimento cita restrições ao patrocínio do tabaco
As entidades lembram que a indústria do tabaco já ocupou posição de destaque no patrocínio esportivo, mas perdeu espaço após pressões de autoridades e organizações de saúde.
Entre as décadas de 1990 e 2000, a Fórmula 1 começou a reduzir a presença de marcas de cigarro em equipes e competições. A campanha defende que medida semelhante seja adotada em relação às bebidas açucaradas.
A Agência Brasil procurou a Fifa para comentar a mobilização, mas não recebeu resposta até a publicação da reportagem.
Publicidade de apostas também é alvo de críticas
Além dos anúncios de refrigerantes, a publicidade de plataformas digitais de apostas, conhecidas como bets, também tem gerado críticas durante a Copa do Mundo.
No Brasil, portarias ministeriais publicadas na sexta-feira, 10 de julho, estabeleceram restrições para esse tipo de propaganda e determinaram a exibição de alertas sobre os riscos das apostas, como dependência e perdas financeiras.
Fonte: Agência Brasil
