Mais de 350 mil haitianos nos Estados Unidos perderam o Status de Proteção Temporária (TPS), benefício que impedia a deportação de cidadãos de países em guerras, desastres naturais ou crises humanitárias. Com o fim da medida, o governo do presidente Donald Trump prepara uma operação de deportação em massa, que deve começar pelo estado de Ohio.

A proteção foi encerrada após decisão de um tribunal federal de apelações, que manteve apenas até esta segunda-feira os efeitos do TPS. A medida ocorreu depois que a Suprema Corte autorizou, em junho, a revogação do programa para cidadãos haitianos.

Segundo veículos da imprensa norte-americana e parlamentares, as primeiras ações devem ocorrer em Ohio, onde vivem cerca de 14 mil haitianos beneficiados pelo programa. Durante a campanha presidencial de 2024, Trump usou o estado para fazer falsas acusações de que imigrantes haitianos estariam consumindo animais de estimação de moradores.

Embora as operações comecem em Ohio, a Flórida concentra a maior comunidade afetada. De acordo com a organização FWD.us, cerca de 158 mil haitianos protegidos pelo TPS vivem no estado, quase metade do total de beneficiários.

A deputada democrata Debbie Wasserman Schultz afirmou que o Departamento de Segurança Nacional (DHS) pretende deter aproximadamente 2 mil haitianos por dia para deportação. Segundo a parlamentar, a medida poderá separar famílias e afetar milhares de crianças norte-americanas filhas de imigrantes haitianos.

Além do impacto social, entidades alertam para consequências econômicas. Estimativas da FWD.us apontam que cerca de 200 mil haitianos trabalham em setores como saúde, hotelaria, restaurantes e cuidados com idosos. Juntos, eles movimentam aproximadamente US$ 5,9 bilhões por ano na economia dos Estados Unidos, sendo US$ 1,5 bilhão apenas na região de Miami.

O governo americano justifica o encerramento do programa alegando que as condições ambientais no Haiti melhoraram desde o terremoto de 2010, quando o TPS foi concedido. Organizações humanitárias, no entanto, contestam essa avaliação e afirmam que o país enfrenta uma grave crise de segurança, marcada pela violência de gangues, instabilidade política e milhares de homicídios registrados somente neste ano.

Segundo a FWD.us, as deportações também podem afetar cerca de 50 mil crianças cidadãs dos Estados Unidos, que correm o risco de serem separadas de pelo menos um dos pais.