O representante de comércio da Casa Branca, Jamieson Greer, sinalizou ao governo brasileiro que manterá a recomendação de um novo tarifaço sobre as exportações do País. A decisão oficial, que deve ser publicada nesta quarta-feira, 15 de julho, deve trazer também uma ampliação na lista de produtos considerados isentos da sobretaxa de 25%. O setor privado nacional e norte-americano atuou fortemente contra a medida durante audiências públicas em Washington, mas fontes aliadas ao governo federal relatam que não houve abertura para negociações por parte dos Estados Unidos.

A investigação que originou a cobrança extra, baseada na seção 301 da legislação comercial americana, foi instaurada em julho de 2025 pelo governo republicano. A medida foi anunciada como uma reação direta ao processo enfrentado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro no Brasil, classificado pelos americanos como uma perseguição política. Apesar das reuniões bilaterais realizadas desde maio deste ano e da criação de um grupo de trabalho conjunto para avaliar a disputa, os Estados Unidos concluíram a apuração de forma antecipada, indicando que a vigência das tarifas pode ser imediata ou ocorrer em poucos dias.

Em uma última tentativa de diálogo realizada nesta terça-feira, 14 de julho, representantes brasileiros reiteraram formalmente o caráter injusto da sobretaxa. Em nota, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) enfatizou que os argumentos apresentados pelos Estados Unidos não justificam as tarifas sugeridas. Diante do impasse e sob a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo federal já estuda a possibilidade de retomar o processo de reciprocidade comercial contra os produtos americanos no mercado nacional.