A Petrobras anunciou uma redução de R$ 0,3515 por litro no preço de referência do diesel A vendido às distribuidoras a partir de quarta-feira, 1º de julho. Apesar do corte, o valor efetivamente pago pelas empresas permanece inalterado, já que a medida compensa o fim da subvenção econômica de mesmo valor concedida pelo governo federal.

Com a mudança, o preço médio do diesel A comercializado pela Petrobras seguirá em R$ 3,30 por litro. Segundo a estatal, a redução no preço-base foi aplicada ao mesmo tempo em que foi encerrado o desconto temporário de R$ 0,3515 por litro, em vigor desde maio durante a Medida Provisória nº 1.358/2026.

Na prática, uma medida anula a outra. A redução anunciada pela Petrobras evita aumento imediato no preço cobrado das distribuidoras após o fim do subsídio federal.

A subvenção havia sido criada pelo governo para conter os impactos da alta internacional do petróleo, provocada pelo agravamento das tensões no Oriente Médio. Com a queda das cotações nas últimas semanas, a equipe econômica decidiu retirar parte do benefício por avaliar que as condições que justificaram a ajuda emergencial deixaram de existir.

Em comunicado, a Petrobras afirmou que a decisão foi possível diante da evolução do mercado nacional e internacional de petróleo e derivados. “Os preços de venda de óleo diesel A, de uso rodoviário, da Petrobras para as distribuidoras permanecerão inalterados, com o valor médio de R$ 3,30 por litro”, informou a companhia.

O anúncio foi feito poucas horas após o Ministério da Fazenda confirmar o encerramento da subvenção de R$ 0,35 por litro. O secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, afirmou que o governo seguirá avaliando a retirada gradual de outros subsídios aos combustíveis, desde que o cenário internacional continue favorável.

“Nosso compromisso é não manter preço artificial. Vamos fazer sempre com cuidado, porque ainda existe incerteza”, declarou Durigan.

A decisão também acompanha o recuo do petróleo no mercado internacional. O barril do tipo Brent, que chegou a se aproximar de US$ 120 durante o auge das tensões envolvendo o Irã, voltou para a faixa dos US$ 73, reduzindo a necessidade de medidas emergenciais para conter a alta dos combustíveis no Brasil.

Mesmo com a estabilidade no preço praticado pela Petrobras, especialistas avaliam que o consumidor dificilmente perceberá mudanças imediatas nas bombas. O valor final pago pelos motoristas depende de fatores como custos de distribuição, mistura obrigatória de biodiesel, impostos estaduais e margens de lucro dos postos.

O governo informou que continuará monitorando o mercado internacional antes de decidir sobre a retirada de outras subvenções ainda em vigor para diesel e gasolina. Caso o preço do petróleo permaneça em níveis mais baixos, novos cortes nos benefícios poderão ser adotados gradualmente, reduzindo o impacto fiscal das medidas criadas durante o período de maior volatilidade.

Fonte: O Sul