Mais de um quarto dos atendimentos marcados na rede básica de Veranópolis termina sem a presença do paciente. Em junho, o índice de faltas chegou a 26%, mantendo-se dentro de uma média que varia entre 20% e 26% nos últimos meses.

Os dados consideram os atendimentos realizados nas unidades básicas e não incluem as ausências em consultas com especialistas. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, o problema compromete o aproveitamento das agendas e impede que vagas sejam repassadas a outras pessoas que aguardam na fila.

— Quando uma pessoa falta, ela tira a oportunidade de alguém que está esperando há bastante tempo. A demanda é muito grande e a oferta depende do orçamento e também da disponibilidade dos profissionais — afirma a secretária da Saúde, Évelin Kasmirscki Ranghetti.

Consultas médicas concentram ausências

Os atendimentos médicos concentram o maior número de faltas. No período analisado, foram registradas 263 ausências diante de cerca de 3,6 mil consultas, o equivalente a aproximadamente 7%.

Também são recorrentes as faltas em atendimentos odontológicos, de psicologia e de psiquiatria. Exames e consultas especializadas registram índices menores, mas as ausências também afetam o andamento das filas.

O impacto é maior em áreas nas quais a capacidade de atendimento já é limitada. Oftalmologia, por exemplo, concentra a maior demanda reprimida entre as especialidades em Veranópolis.

— Não adianta apenas comprar mais consultas se os profissionais também atendem outros pacientes e não conseguem trabalhar exclusivamente para o SUS. A gente esbarra no orçamento, na oferta técnica e, mesmo assim, ainda há pessoas que faltam — explica a secretária.

Município prepara novos canais de contato

A Secretaria da Saúde reconhece que parte das ausências também pode estar relacionada à dificuldade para comunicar o cancelamento. Para reduzir o problema, um telefonista passou a filtrar as chamadas destinadas aos diferentes setores da pasta.

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O município também prepara um WhatsApp institucional. A ferramenta deverá permitir que os moradores solicitem informações, acompanhem atendimentos e avisem quando não puderem comparecer a consultas ou exames. A implantação ainda depende da liberação do número pela Meta.

— Sabemos que existem pessoas responsáveis que tentam avisar, mas não conseguem completar a ligação. Vamos oferecer uma nova alternativa, mas também precisamos que cada paciente faça a sua parte — ressalta Évelin.