O caminhoneiro catarinense Jairo Luan Gomes, de Sombrio, completou 27 dias parado na região de Uspallata, na província argentina de Mendoza, depois que fortes nevascas bloquearam a travessia em direção ao Chile. A interrupção no Passo Internacional Los Libertadores atingiu centenas de profissionais e integra um cenário que teria deixado mais de 1,5 mil caminhões retidos em trechos da Cordilheira dos Andes.

Durante a espera, o motorista passou a denunciar principalmente as condições precárias da estrutura oferecida na área aduaneira. Segundo ele, faltam banheiros adequados e acesso regular a banho quente, obrigando os caminhoneiros a procurar serviços pagos em um posto próximo, onde uma ducha custa cerca de 4 mil pesos argentinos. Jairo também destacou que recebe alimentação e água de associações de caminhoneiros de Mendoza, diferenciando esse auxílio voluntário da assistência fornecida pela aduana.

Apesar de afirmar estar fisicamente bem, o catarinense relatou desgaste psicológico provocado pela longa espera e criticou a falta de união entre colegas de profissão diante da situação. Empresas de transporte, especialmente do Sul e do Oeste de Santa Catarina, acumulam atrasos, despesas adicionais e impactos em contratos internacionais. A retomada normal do tráfego permanece condicionada à retirada do gelo e à melhora das condições climáticas na cordilheira.