Um estudo alerta para o subdiagnóstico da doença renal crônica (DRC) no Brasil, condição que já afeta mais de 20 milhões de pessoas, o equivalente a cerca de 10% da população. Os dados são da Sociedade Brasileira de Nefrologia e foram divulgados nesta quarta-feira, 12 de agosto.

De acordo com o Censo Brasileiro de Diálise 2024, mais de 170 mil brasileiros dependem de terapia renal substitutiva. No entanto, uma pesquisa realizada em colaboração com o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Pontifícia Universidade Católica do Paraná indica que o número real de pacientes pode ser ainda maior devido à dificuldade de identificar a doença em seus estágios iniciais.

O levantamento avaliou mais de 14 mil pessoas consideradas de alto risco, principalmente pacientes com diabetes e hipertensão. Os pesquisadores analisaram a frequência de realização de dois exames importantes para o diagnóstico: a dosagem de creatinina no sangue e o teste de albuminúria, que identifica a presença de proteína na urina.

Os resultados mostraram que menos de 5% dos participantes que realizaram exames de creatinina também tiveram o teste de albuminúria solicitado. Mesmo após uma campanha nacional de rastreamento, o índice permaneceu abaixo de 7%, indicando que o acompanhamento completo ainda é pouco realizado na prática clínica.

A doença renal crônica costuma ser assintomática nos estágios iniciais, o que dificulta sua identificação precoce. Segundo o estudo, o diagnóstico antecipado pode permitir medidas capazes de preservar a função dos rins, reduzir complicações cardiovasculares e retardar ou até evitar a necessidade de diálise.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) projeta que a doença renal crônica poderá se tornar a quinta principal causa de morte no mundo até 2040. A pesquisa foi publicada no Brazilian Journal of Nephrology e contou com pesquisadores ligados a instituições como Universidade Estadual de Campinas, Escola Bahiana de Medicina, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e Arbor Research Collaborative for Health.

Entre os principais fatores de risco apontados pelo Ministério da Saúde estão diabetes, hipertensão, idade avançada, obesidade, doenças cardiovasculares, histórico familiar de doença renal crônica, tabagismo e uso de substâncias ou medicamentos que podem comprometer a função dos rins.

A prevenção está diretamente relacionada ao controle dos fatores de risco. Manter diabetes e hipertensão sob acompanhamento, combater o tabagismo e cuidar da saúde cardiovascular são medidas importantes para reduzir as chances de desenvolvimento ou progressão da doença renal crônica.

Fonte: Agência Brasil, Sociedade Brasileira de Nefrologia e Ministério da Saúde.