O principal indicador atmosférico do El Niño atingiu uma marca histórica em julho de 2026, acendendo um sinal de alerta emitido pela MetSul Meteorologia. O Índice de Oscilação Sul (SOI) registrou a média mensal de -29,1, o valor mais baixo e negativo já contabilizado para o mês de julho, conforme dados apurados pelo Bureau de Meteorologia da Austrália. A métrica avalia a diferença de pressão atmosférica entre o Taiti e Darwin, funcionando como um termômetro direto da interação entre a atmosfera e o oceano.

A leitura extremamente negativa do índice confirma que o motor atmosférico do fenômeno está operando em intensidade excepcional. Como a referência para a configuração do El Niño é mantida em valores abaixo de -7, o patamar alcançado demonstra um deslocamento severo da circulação tropical. Para os meteorologistas da MetSul Meteorologia, essa resposta da atmosfera reforça que o evento climático atual possui uma assinatura histórica, elevando o potencial para impactos severos em escala global e regional.

Estudos históricos correlacionam picos negativos do SOI ao aumento expressivo de chuva no Sul do Brasil, com reflexos práticos observados de três a quatro meses após o registro. Diante disso, o cenário desenhado pelo indicador aponta para um alto risco de enchentes de maiores proporções no último trimestre deste ano, especialmente durante a primavera no Rio Grande do Sul, quando o impacto na precipitação tende a se intensificar.