A Food and Drug Administration (FDA) aprovou nos Estados Unidos o uso do daraxonrasib, vendido como Rasonque, para determinados adultos com adenocarcinoma de pâncreas metastático. A autorização foi concedida cerca de seis meses e meio antes do prazo previsto para a conclusão da análise regulatória e contempla pacientes que já receberam ao menos um tratamento sistêmico ou que não podem ser submetidos a combinações de diferentes terapias. A decisão transforma em opção de tratamento um medicamento que, poucos meses antes, havia provocado uma das cenas mais marcantes da oncologia recente.

Durante a apresentação dos resultados no congresso da American Society of Clinical Oncology (ASCO), em Chicago, médicos se emocionaram, alguns chegaram às lágrimas e a plateia se levantou para aplaudir os dados do estudo de fase 3 RASolute 302. A reação ocorreu porque, entre pacientes com mutação RAS G12, a sobrevida mediana chegou a 13,2 meses com o comprimido, contra 6,6 meses com a quimioterapia, enquanto o risco de morte caiu 60%. O tratamento também ampliou o período até a progressão da doença, de 3,5 para 7,3 meses, e mais de 31% dos pacientes tiveram redução mensurável dos tumores. Especialistas destacaram ainda a baixa toxicidade: apenas 1,2% precisaram interromper o uso por efeitos colaterais, frente a 11,2% no grupo da quimioterapia.

Tomado uma vez ao dia, o daraxonrasib atua sobre diferentes formas da proteína RAS, ligada ao crescimento dos tumores e alterada na grande maioria dos adenocarcinomas pancreáticos. Durante décadas, bloquear essa proteína foi considerado um dos maiores desafios da pesquisa contra o câncer, o que ajuda a explicar a forte reação dos médicos diante dos resultados. Para pesquisadores, a combinação de ganho expressivo de sobrevida, redução tumoral e menor toxicidade representa um avanço especialmente relevante em uma doença que costuma ser descoberta em estágio avançado e que historicamente oferece poucas alternativas após a falha da quimioterapia.