Polícia estima mais de 140 vítimas em esquema milionário de falsa plataforma de investimentos
Operação investiga rede suspeita de movimentar bilhões em fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro; aposentada perdeu R$ 37 milhões
A Polícia Civil estima que mais de 140 pessoas possam ter sido vítimas de um esquema de fraude financeira semelhante ao que causou prejuízo de R$ 37 milhões a uma aposentada no Rio Grande do Sul. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (13), durante a Operação Criptoabate, que cumpriu 90 ordens judiciais em três estados. A investigação apura crimes de estelionato eletrônico e lavagem de dinheiro ligados a uma falsa plataforma de investimentos, em um modelo de fraude conhecido internacionalmente como “pig butchering”.
Segundo a apuração, a aposentada foi convencida ao longo de cerca de seis meses a transferir valores cada vez maiores para a plataforma fraudulenta, utilizando recursos recebidos por herança. Ela só percebeu que se tratava de um golpe quando tentou retirar o dinheiro investido. A polícia afirma que contas bancárias controladas pelo grupo eram usadas para receber e pulverizar os valores antes da conversão em criptoativos. Entre os presos estão responsáveis por instituições financeiras ligadas à conversão de criptomoedas, estrangeiros e uma gerente de uma instituição financeira tradicional suspeita de facilitar a abertura de contas utilizadas pelo esquema.
Os investigadores identificaram movimentações consideradas atípicas de grande escala. Uma das instituições investigadas teria convertido R$ 295 milhões em criptomoedas em apenas um dia, enquanto uma empresa de São Paulo registrou movimentação de R$ 500 milhões durante o período analisado. No conjunto, as transações suspeitas relacionadas aos investigados chegam a aproximadamente R$ 30 bilhões. A orientação da Polícia Civil é desconfiar de promessas de lucro muito acima do mercado, plataformas sem credenciais verificáveis e exigências de novos depósitos para liberar valores supostamente já investidos.
